Quando a empresa ou um superior pratica o assédio moral?

Quando um profissional é humilhado, seja por um colega de trabalho ou por algum superior, por exemplo, através de agressão interpessoal, abuso de poder ou abuso emocional, pode-se dizer que houve assédio moral. Além disso, a situação de sofrimento moral deve ser reiterada e repetitiva, pois uma única situação não denota assédio moral.
Ainda há pouca literatura sobre o tema, mas sua detecção na empresa não depende somente de uma reação da vítima. Uma análise cuidadosa do ambiente de trabalho poderá demonstrar a eventual existência de um empregado que esteja afastado dos demais colegas, sob tensão extrema, por vezes, deprimido e com problemas de saúde, primeiros ''sintomas'' de uma situação de assédio. Verificada tal situação, uma investigação mais cuidadosa se impõe.
Muitas pesquisas acadêmicas realizadas em todo o mundo demonstram que variados ambientes de trabalho estão cheios de ações que deixam os indivíduos se sentindo ameaçados e humilhados e que geralmente vêm de pessoas mais poderosas para seus subordinados. Um levantamento realizado nos EUA mostrou que 10% dos 800 empregados de uma empresa presenciavam casos diários de falta de civilidade em seus empregos e 20% eram alvos diretos de falta de respeito ao menos uma vez por semana.
Estimativas indicam que as humilhações no trabalho que partem de superiores a seus funcionários variam entre 50% e 80%. Outra curiosidade apontada pelas pesquisas é que nos eventos de assédio moral as proporções de homens e de mulheres é parecida, sendo que a maior parte do abuso psicológico acontece entre pessoas do mesmo sexo.
Mesmo com toda informação notamos que casos de assédio moral continuam a acontecer. Para evitar que essas ações aconteçam as empresas devem desenvolver formas internas de solução do problema, punindo o culpado. O ideal é que a empresa cuide da situação de assédio de maneira ampla e sem preconceitos. Assim, é preciso verificar a validade das acusações de maneira isenta e cuidar da saúde psicológica do assediado como também do assediante, que pode estar passando por pressões e problemas na empresa ou familiares que estejam gerando esse comportamento.

Maria Lucia Benhame, advogada em São Paulo

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