Marcos NegriniRisco permanenteUTI da Santa Casa, ontem, lotada. Cidade não tem estrutura para atender traumatizados. Drama transforma socorro de pacientes em pesadeloO sistema público de saúde oferece apenas quatro consultas por mês para a especialidade de Neurocirurgia aos habitantes dos 29 municípios da região de Maringá. Essas consultas são para avaliação da necessidade de se fazer ou não uma neurocirurgia.
A limitação compromete o atendimento de casos de urgência/emergência. Prova disso foi a morte do pedreiro José Carlos Módulo, 43 anos, terça-feira, na UTI da Santa Casa. Ele tinha se acidentado no sábado, mas teve que aguardar durante três dias no Hospital Universitário de Maringá por um leito de UTI. Só os hospitais privados, conveniados ao SUS, dispõem de leitos de UTI na cidade. Médicos da Santa Casa afirmaram que a demora no tratamento especializado precipitou a morte dele.
Segundo a chefe do Centro Regional de Saúde de Maringá, órgão do governo estadual que centraliza as consultas para toda a região, Irma Shiraishi, para a especialidade de Neuropediatria são oferecidas 400 consultas mensais; para Neurologia de adultos, 220 consultas/mês. Essas consultas não incluem a possibilidade de uma neurocirurgia.
O Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 2,50 por consulta, tanto de Neurocirurgia como de Neurologia. Os hospitais particulares não fazem consultas de Neurocirurgia pelo SUS.
O único hospital de Maringá que atende a Neurocirurgia pelo SUS é o Hospital Universitário (HU). Os professores do Curso de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que trabalham no ambulatório do HU, avaliam o paciente e se for necessária uma cirurgia ele é encaminhado à Central de Vagas do sistema estadual de saúde.
Para ser operado, o paciente precisará conseguir uma vaga de UTI nos hospitais particulares da cidade. A operação só é realizada com a vaga da UTI garantida.
Quando José Carlos Módulo chegou ao HU (ele foi vítima de atropelamento), o ambulatório do hospital fez as radiografias necessárias e constatou que ele precisava com urgência de uma neurocirurgia para depois ser internado numa UTI. O HU não poderia fazer a cirurgia porque suas UTIs, embora prontas, não estão funcionando por falta de funcionários. Seu pedido para UTI foi encaminhado à Central de Vagas, que levou três dias para atender o paciente.
O mesmo drama foi enfrentado pela menina Flávia Schiavon, 13 anos, que morreu no último dia 26 de maio num posto municipal de saúde. Ela precisava com urgência ser avaliada por neurocirurgião e também de uma UTI. Esperou nove horas, em vão.

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