O Largo da Ordem já foi cartão postal de Curitiba. Agora virou um barril de pólvora prestes a causar uma tragédia. Por trás das fachadas dos casarões históricos, está um problema quase tão antigo quanto o local: a precariedade das fiações elétricas. Como solução, os comerciantes pedem que a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros promovam uma fiscalização rigorosa nas mais de 100 construções que formam o setor histórico da cidade.
‘‘O Corpo de Bombeiros deveria fazer uma vistoria geral nos sistemas hidráulico e elétrico e determinar a instalação de extintores’’, diz a proprietária de um sebo de livros e discos usados, Valéria Vargas Costa, 40 anos. No ano passado, inspeções da municipalidade constataram que dos 188 estabelecimentos localizados entre a Rua Presidente Farias e a Praça Osório, apenas 24 (12%) tiveram o sistema de prevenção de incêndio aprovado.
São situações de fragilidade como estas que podem ter provocado o incêndio no mini-shopping do Largo da Ordem na noite de sexta-feira. As 25 lojas do centro comercial foram destruídas e o fogo, por pouco, não se alastrou para o Museu de Arte Sacra, a Igreja da Ordem - a mais antiga de Curitiba - e o teatro Lala Schneider, onde cerca de 200 pessoas assistiam a um espetáculo teatral. ‘‘Isto aqui é um barril de pólvora’’, sentencia o monsenhor Luiz de Gonzaga Gonçalves, da Igreja da Ordem.
O protesto encontra eco em quem trabalha no Largo da Ordem. A gerente de uma galeria de arte, Sônia Macedo Mercer, reclama que os bombeiros têm o acesso dificultado ao local diante dos obstáculos e cancelas colocados para evitar o trânsito de veículos. ‘‘São prédios velhos e que ninguém fiscaliza’’, afirma a comerciante Lydia de Oliveira, 58 anos. Ela perdeu o seu atelier de pintura localizado no mini-shopping. O prejuízo foi de R$ 6 mil. ‘‘Já foram três incêndios nas mesma quadra nos últimos dois anos’’, recorda a lojista Valéria Costa (leia matéria abaixo).
Os bombeiros encontraram dificuldades para combater o fogo. Primeiro, teriam demorado cerca de 20 minutos para chegar ao local e depois encontraram problemas com a falta de hidrantes nas redondezas. O gerente da unidade de distribuição de Curitiba da Sanepar, Celso Luiz Thomaz, informa que o número de hidrantes é suficiente para abastecer os carros dos bombeiros. ‘‘São 15 hidrantes num raio de 300 metros do Largo da Ordem’’, completa.
Thomaz diz que os hidrantes estão concetrados numa ‘‘área de risco’’ e não existe a necessidade de implantação de novas fontes de água.

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