Setor de lajes cobra rigor em fiscalização
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Lúcio Horta 
Cobrar uma fiscalização mais efetiva no setor de lajes pré-moldadas, com o objetivo de fortalecer o setor no Paraná.
Esse foi o objetivo de uma reunião que ocorreu na última segunda-feira, em Curitiba, entre o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) no Paraná, Ivo Gilberto Martins, e o técnico Aguinaldo Kemmer, que acumula os cargos de presidente da Associação dos Fabricantes de Lajes no Paraná (Afalapar) e vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Lajes (Abilaje).
Kemmer levou ao presidente do Crea a preocupação de que existem hoje no mercado muitos fabricantes sem qualificação técnica para realiza 2o trabalho e que, pr 2isso, colocam em risco não só a qualidade da construção como também a vida dos próprios clientes. A gente quer fortalecer o setor, mas como fazer isso? Organizando, moralizando e fiscalizando, disse Kemmer.
Segundo ele, há empresas sem responsável técnico e que funcionam apenas com uma kombi e um celular na mão. Essas empresas pagam para alguém assinar a RT (reponsabilidade técnica), ao invés de manter um profissional, como determina a lei. Algumas não têm nem endereço comercial e ainda mantêm um perfil de dívida junto ao Crea, aponta o técnico em lajes pré-moldadas.
O presidente do Crea garantiu que levará a preocupação dos fabricantes de Londrina e região para a próxima plenária da entidade, que ocorre uma vez a cada mês. Dessa reunião, explica Kemmer, poderão sair várias ações no sentido da profissionalização do setor, como uma fiscalização maior. O encontro em Curitiba serviu para abrir um diálogo direto entre fabricantes da região e a presidência do Crea. E a receptividade, felizmente, foi muito grande, avalia.
Aguinaldo Kemmer diz que a categoria já tem tomado algumas atitudes para valr iza 2o setor, como or 2exemplo uma proposta de criação de um selo de qualidade. Esse projeto teve início há um ano em parceria com o departamento de Estrutura do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A desorganização do setor, segundo Kemmer, reflete principalmente na disparidade de preços que são praticados no mercado. Ele explica que não é possível uma empresa que mantém um profissional qualificado, que tem seus impostos em dia, segue todos as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre outras obrigações, possa manter os mesmos preços de uma empresa pirata.
O perigo de se comprar um produto sem qualidade é a laje apresentar fissuras, flambagem (barriga) excessiva, e até cair, no último caso. Aí o barato sai caro, alerta Kemmer. A preocupação é a mesma de Sebastião Ferreira Martins, presidente do Sindicato da Indústria de Pré-Moldado, de Concreto e Artefato de Cimento (Sinddcon). Há fábricas que são pequenas mas eficientíssimas. Mas outras não têm essa mesma qualidade, lamenta Martins.
Na semana passada, Kemmer e Martins já tinham se encontrado com o gerente regional do Crea em Londrina, Mário Ribas Blanki, para discutir a possibilidade da criação de uma norma técnica que limitasse o trabalho de empresas sem qualificação. Mas Blanki esclareceu que o papel do Crea é fiscalizar o profissional e não o produto.


