Setor de Endemias começa mutirões
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina O Setor de Endemias da Secretaria de Saúde de Londrina começou ontem a fazer mutirões de limpeza nos bairros com maiores índices de infestação de dengue na cidade. Após a divulgação do primeiro Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), na semana passada, que apontou 10,1% de infestação, os agentes intensificaram as ações de combate no Jardim São Jorge (zona norte), onde a taxa está em 15%, e na Vila Fraternidade (zona leste), que registrou 23%. de infestação.
Como o limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de apenas 1%, os agentes de endemias estão em alerta máximo. Logo nas primeiras horas da manhã, as equipes se dividiram e esquadrinharam os bairros à procura de focos dos mosquitos. De acordo com a coordenadora de Endemias de Londrina, Diana Martins, os vasos e bebedouros de animais receberam atenção especial por concentrarem 85% dos focos do mosquito. "A grande maioria dos focos é encontrada onde menos os moradores esperam. Por isso o cuidado deve ser redobrado", alertou.
Na casa do vendedor autônomo Reginaldo dos Santos Almeida, de 35 anos, na Vila Fraternidade, o quintal estava aparentemente em ordem, porém os olhos treinados das agentes encontraram alguns recipientes sob a vegetação do quintal. "Procuro deixar tudo em ordem, não tinha visto os plásticos ali. Vou tomar mais cuidado", comprometeu-se. A agente Juliana Dantas de Carvalho contou que a vegetação costuma esconder o perigo. "É preciso olhar cada canto da casa, porque todo o serviço de limpeza é perdido se restar um foco que seja", alertou.
Além de vistoriar as casas, os agentes também trabalharam outro problema crônico na cidade: os pontos de descarte de lixo irregular. No fundo de vale, já próximo ao Marco Zero, as pilhas de lixo acumulavam vísceras de peixe, tapetes de veículos, pneu, e uma privada cheia de larvas. "A população reclama do poder público, mas não faz a parte dela. Se não houver conscientização, ações como essa não adiantam de nada", expôs. Todo o lixo recolhido pelos agentes era recolhido pelos caminhões de apoio.
O trabalho nos dois bairros segue em ritmo intensificado até amanhã. A intenção é terminar o serviço que, em condições normais, levaria 15 dias para ser concluído. Até a metade de fevereiro, 41 bairros críticos receberão o mutirão. Para a próxima semana, o setor de Endemias espera o reforço dos caminhões de fumacê do governo estadual. Por enquanto, os agentes fazem a pulverização apenas com as bombas costais. A aposentada Rosana de Oliveira, de 64 anos, da Vila Fraternidade, elogiou o trabalho dos agentes. "Se eles não ficarem em cima o povo não cuida do quintal. Mesmo com todos os alertas, eles parecem não se importar com os riscos", criticou. O maior medo dela é que a neta, Sara, de apenas 10 meses, contraia a doença. "As crianças são frágeis, fico muito preocupada com a situação do bairro."
O último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), que leva em consideração o período de julho do ano passado até o dia 9 deste mês, aponta 63 casos autóctones da doença em Londrina, com 2.066 notificações.
Para denúncias, o setor de Vigilância em Saúde disponibiliza o Disque Dengue, pelo telefone 0800-400-1893. O serviço funciona de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas.


