Setenta anos de fé em Rolândia
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Rolândia - Em 1942, quando ainda nem era município, Rolândia (Norte) ganhou sua primeira paróquia. Dois anos depois começaram as obras para substituir a igrejinha de madeira e em seu entorno foi sendo construído o templo considerado um dos mais bonitos da Arquidiocese de Londrina. A nova igreja foi inaugurada em 1º de maio de 1955, mas devido à falta de recursos parte do projeto não foi executado: a torre da igreja, que deveria abrigar o campanário.
Agora, com a Paróquia São José prestes a completar 70 anos, a comunidade se mobiliza para finalmente completar o projeto original. A torre de 42 metros, contados do solo até a ponta da cruz já está sendo erguida. ''O arquiteto Antônio Carlos Zani, da Universidade Estadual de Londrina, em conjunto com alguns alunos, fez a adaptação do projeto original e a UEL doou para nós'', conta o padre José Bernard Agius, responsável pela paróquia há 42 anos.
A única alteração foi a transferência da torre para a frente da igreja, já que a ideia original era que ela ficasse do lado. Depois de pronta serão instalados quatro sinos de bronze que, modernizados, badalarão ao apertar de um botão no controle remoto. ''Em nossa região, só Rolândia não tem sinos. Hoje temos uma gravação, mas com os de verdade ficará muito melhor. Vamos tocar ao meio-dia, às 18 horas, 15 minutos antes das missas e nas grandes celebrações'', planeja o padre.
Museu
Também estão previstos um relógio e um museu de cera, com peças doadas por um artista local. ''Já estão ficando prontas as estátuas de Madre Tereza de Calcutá e do papa João Paulo II'', conta. Na parte externa, uma sacada poderá ser usada para grandes celebrações e apresentações musicais, como as cantatas de Natal.
O custo estimado da torre, sem contar o valor dos sinos, é de R$ 400 mil e boa parte já foi doada pela comunidade. Segundo padre José, a preparação para a obra começou a quatro anos, com a votação da comunidade, que decidiu que finalmente era a hora de terminar a obra.
''Várias vezes pensamos em fazer essa construção, mas sempre surgiam outras prioridades, que eram nossas obras sociais. O nosso segundo pároco já tinha feito uma campanha de sacas de café, mas decidiu que a educação era mais importante e então foi feito o Colégio Santo Antônio, que funciona até hoje aqui do lado'', ressalta.
Depois de arrecadar metade do valor da obra, foi iniciada a construção. Agora, para conseguir o restante, a paróquia está realizando a Campanha do Tijolinho. ''Foram feitos dois mil tijolinhos, que serão vendidos a R$ 50 cada, com renda revertida para a construção. Algumas pessoas tmbém estão interessadas a ajudar na compra dos sinos'', explica padre José.
Não é a primeira vez que a comunidade se une para ajudar a paróquia. A construção foi feita pelos fiéis que vinham das plantações para a cidade apenas para ajudar. Quando foi inaugurada, a igreja não tinha reboco por fora e dentro apenas os afrescos, pintados por um artista do interior de São Paulo, e os vitrais estavam prontos. Todo o trabalho feito em madeira foi sendo construído aos poucos, executados por artistas alemães que moravam na cidade. Em vários bancos é possível observar as plaquinhas de metal com o nome dos doadores gravado.
Referência
Na obra atual cerca de 100 homens estão envolvidos nas várias etapas. Ocivaldo Pereira da Silva, mestre de obras, se sente honrado em participar da construção. ''Estamos fazendo parte da história. Esse é o melhor patrão - Deus - e esperamos tocar os sinos já no Natal'', afirma.
Rosana Pirani Micheletti, administradora financeira, ressalta que a igreja matriz é uma referência, que chama os católicos a participarem das atividades. ''É linda tanto externa quanto internamente e com os sinos vai ficar melhor ainda.''
Apesar da obra ter sido aprovada pela comunidade católica, nem todos os fieis ficaram felizes com o resultado final. ''Preferia com duas torres laterais, mais baixas. Mas se o projeto original é esse, que seja assim'', afirma rindo a médica Maria de Lourdes do Nascimento Santos, pároca há 55 anos, que ressalta que mesmo assim está colaborando com a construção.


