Warren NabucoSaída noturnaA Cadeia Pública de Cambé: fuga acirra ainda mais a polêmica entre as polícias Militar e Civil Sete presos fugiram da Cadeia Pública de Cambé, na madrugada de ontem. Entre eles, estavam os ex-policiais militares Nelson Teixeira e Darci Barcelo de Oliveira, envolvidos em vários assaltos a bancos. Os outros cinco detentos respondiam por roubo e homicídio. O delegado de Cambé, Nasser Salmen, explicou que a fuga teve início na cela um da galeria A - a Cadeia tem duas galerias.
Licínio Dulcini e Anselmo Roberto, ambos respondendo por roubo, serraram três barras da grade da cela, abrindo espaço suficiente para que Anselmo, que é franzino, passasse para o lado de fora. Depois ele usou uma das barras de ferro para quebrar os cadeados de todas as celas da galeria A. O mesmo procedimento foi adotado para abrir a porta de acesso à galeria B e as outras quatro celas.
As barras da porta interna da cadeia também foram serradas para permitir que Anselmo rompesse o cadeado, tendo acesso à porta que liga ao pátio. A porta, oca, feita de duas lâminas de aço, cedeu facilmente à força dos fugitivos e teve sua parte de cima totalmente entortada, permitindo que eles ganhassem o pátio. Do pátio foi lançada uma ‘‘teresa’’ (corda feita com tiras de lençol e roupas). Com ela, os detentos pularam o muro e fugiram pelo pátio da Polícia Militar ou pelo Fórum, que estavam totalmente vazios àquela hora.
Na hora da fuga, a cadeia estava com 18 presos - sua capacidade é para 32. A fuga só foi percebida por volta da 1h30 da madrugada, quando um soldado da PM foi à delegacia e viu a ‘‘teresa’’ pendurada no muro. O delegado Nasser acredita que a fuga deve ter acontecido entre 23h30 de domingo e 1 hora de segunda-feira. Pouco antes das 23h30, o investigador de plantão foi até à cadeia - tudo estava aparentemente tranquilo.
A fuga agrava ainda mais a disputa judicial entre a Polícia Civil e Polícia Militar, que discordam quanto a quem cabe a obrigatoriedade de fazer a guarda externa da cadeia. Para Nasser, os fugitivos tiveram sua ação facilitada pela falta de policiamento externo. Ele entende que a segurança externa da cadeia deve ser feita pela PM. O delegado explica que a cadeia e a delegacia ficam em prédios diferentes. Nos finais de semana, apenas um investigador fica de plantão na delegacia para atender as ocorrências e cuidar da cadeia.
A Justiça também entende que cabe à PM fazer a guarda externa da Cadeia Pública de Cambé e determinou à corporação que fizesse o serviço. ‘‘A PM já foi notificada duas vezes pela Justiça, mas até agora não assumiu o trabalho. A ausência da guarda externa facilitou em muito a fuga’’, afirma Nasser. Mas o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Marino Ari Burille, discorda. Ele afirma que a guarda das cadeias públicas e distritos cabe à Polícia Civil. ‘‘A PM só é responsável pela guarda externa dos presídios.’’ O comandante deixa claro que a PM não vai fazer a guarda da Cadeia Pública de Cambé, e não pretende cumprir a determinação da Justiça porque a ordem seria ‘‘ilegal’’. ‘‘Uma prova de que não temos a obrigação legal de atender é que, até agora, a Justiça nada pôde fazer para nos obrigar a assumir a guarda externa da cadeia.’’
Até o final desta edição, a polícia ainda não tinha pistas dos fugitivos. Fugiram também Licínio Dulcini, Anselmo Roberto da Silva, Emiliano Rogério Barbosa, Marco Antônio Borges e Marcelo Soares. Os dois últimos respondem por homicídio.

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