Sete mocós tiram o sono do londrinense
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Fábio Galão<bR>Reportagem Local 
A três dias do encerramento do prazo estipulado pela Procuradoria Geral do município para que o proprietário de um terreno que funciona como 'mocó' na Avenida Duque de Caxias, no centro de Londrina, tome providências sobre o espaço, o clima de insegurança ainda é grande entre os vizinhos do local. Comerciantes e moradores da região reclamam que os marginais, andarilhos e usuários de droga que frequentam o imóvel desocupado cobram pedágio à noite para quem passa pela calçada, constrangem os clientes de estabelecimentos comerciais e praticam crimes. O problema não é só da Duque de Caxias. Na semana passada, técnicos da prefeitura visitaram sete mocós em toda a cidade.
''Há duas semanas, uns cinco vagabundos que usam esse mocó assaltaram meu filho. Levaram camiseta, tênis, relógio e bateram muito nele. Meu filho voltou pra casa sangrando, com escoriações nas pernas e nas costas'', diz José Adolfo da Costa, que mora na região há dez anos. Fátima Ribeiro, assistente administrativa de um estabelecimento em frente ao mocó, conta que brigas e assaltos são comuns no terreno. ''Tem vizinho que se mudou só por causa do mocó. Toda manhã, temos que limpar a sujeira que deixam na calçada'', afirma.
Antes de comemorar a decisão judicial que promete dar fim ao problema, os moradores da Duque de Caxias demonstram indignação pela longa espera a que foram submetidos. ''Esse mocó está aí há uns cinco anos, e só quem mora por aqui sabe o transtorno que ele causa'', protesta o funcionário de um posto de gasolina, que não quis se identificar. Caso o proprietário do imóvel não tome providências até segunda-feira, a prefeitura pode entrar com uma ação judicial pedindo a demolição do prédio.
Os mocós são um dos focos do projeto Sinal Verde, da Secretaria Municipal de Ação Social. ''Nosso atendimento nos mocós é in loco, e encaminhamos crianças, adolescentes e adultos conforme suas necessidades'', explica Édina Mariene Rocha, coordenadora do projeto, que envolve 46 profissionais, entre assistentes sociais, psicólogos, educadores, vigia, técnicos e auxiliares.
A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, explica que o trabalho em mocós apontou duas realidades: primeiro, os frequentadores desses espaços, em sua maioria, sofrem de disfunções ligadas a alcoolismo e uso de drogas, e poucos são efetivamente apenas vítimas da pobreza; segundo, muitas das pessoas que se estabelecem em mocós são de fora da cidade. ''O trabalho social visa a recuperação. Viciados são encaminhados para tratamento. Temos parcerias com albergues e eles recebem os adultos. Adolescentes e crianças passam para o Conselho Tutelar e o Espaço Vida, ou são encaminhdas para as cidades de origem'', diz a secretária.


