Sete de Setembro atrai milhares
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Cerca de 30 mil pessoas acompanharam o desfile cívico-militar em comemoração ao Dia da Independência do Brasil, ontem pela manhã, na Avenida Leste-oeste (Região Central). Parte deste total, eram os integrantes das 36 entidades e instituições que participaram do evento. A grande maioria eram famílias, que aproveitaram a trégua do vento gelado que circulou por Londrina esta semana para sair de casa.
O desfile foi aberto com a Banda dos Músicos de Londrina, antiga Banda Municipal. Foi a 38 vez que o saxofonista José Aleixo, de 64 anos, entrou na avenida. ''A gente se prepara bastante para o Sete de Setembro, apesar que a data já perdeu bastante da importância'', analisa. Ele lembra da época em que os músicos da banda se reuniam no amanhecer do dia da Independência para fazer a Alvorada. ''Nós nos encontrávamos na praça e saíamos tocando e acordando a população para participar do desfile''.
O pipoqueiro José Dilheri, que há 20 anos participa do desfile, também constata que a data anda perdendo a importância. E não só ela: ''Nem a pipoca, que é tradicional, faz mais sucesso''. Sem perder o bom humor, ele relembra os antigos desfiles e defende que é preciso que sejam realizados mais eventos que estimulem o patriotismo e o fortalecimento dos símbolos do Brasil. Os soldados Ana Maria Marques e Jânio Claudinei Ribeiro, que fazim patrulhamento durante o evento, concordam. ''A próprio imprensa e as escolas não valorizam mais esta cultura e simbologia'', argumenta Marques.
O tenente-coronel Joacir José da Silva, responsável pelo 5º Batalhão de Polícia Militar de Londrina, garantiu que datas como esta são importantes para estimular e consolidar o sentimento de patriotismo, principalmente entre os jovens. ''Há pessoas, em certos países, que aindam procuram a sua pátria. Nós temos que consolidar toda essa nossa história que construímos'', afirmou.
Foi acreditando nestes sentimentos patrióticos, apesar de ver o evento com crítica, que Edgar Vieira, de 24 anos, levou o filho, Gabriel Arthur Souza Vieira, de três, para a avenida. ''Eu sempre venho. Acho que precisamos incentivar o patriotismo, apesar que acho uma hipocrisia as polícias mostrarem esses carros e efetivos se não é assim que funciona na prática''. O menino, sem entender nada do que o pai dizia, brincava com um catavento, enquanto acompanhava com a boca o batuque da banda que passava.
Outras crianças acompanhavam o desfile atentamente. A festa parecia encantar mais a elas e aos idosos. ''Eu gostei do bastão'', contou a pequena Rita de Kássia Ribeiro Pereira, de seis anos, imitando o gesto do baliza, que girava uma pequena vara direcionando a tropa que desfilava. Já Henrique Freire da Cruz, de sete anos, preferiu os escoteiros. ''Acho legal o trabalho deles'', falou com propriedade.
O evento foi organizado pela Secretaria Municipal de Educação e na avaliação da secretária, Carmem Baccaro Spsoti, foi ''entusiasmante''. Sobre a participação da população, ela afirmou que para o próximo ano será feito um trabalho junto às entidades assistenciais da cidade para que incentivem a participação das comunidade. ''Nós tivemos dificuldade na organização por conta do prédio da prefeitura estar fechado por causa da greve, mas fomos driblando isso'', justificou.


