Nunca a Câmara de Vereadores de Londrina esteve tão ativa para a concessão de homenagens quanto na última legislatura: de 2001 até este mês, foram distribuídas nada menos que 99. Um recorde, já que desde o primeiro ano de atividade da Casa, em 1948, foram concedidas 354 honrarias, como Título de Cidadão Honorário e Comenda Ouro Verde.
Os dados constam de um relatório solicitado no fim do mês passado, ao qual a Folha teve acesso com exclusividade. Autor da pedido, o vereador Rubens Canizares (PHS) afirmou que a preocupação veio da obervação do calendário de sessões solenes deste mês, no qual figuram 12 para 13 honrarias. ''A medida se banalizou a tal ponto que, este ano, acredito que adotou um caráter politiqueiro nunca antes visto. Temos semanas totalmente comprometidas'', observou.
Na tentativa de acabar com divergências, em acordo verbal feito há alguns anos entre seus membros, a Câmara estabeleceu que o prazo final para a entrega seja até, no máximo, três meses antes das eleições. Mesmo assim, nada que esteja estabelecido em Regimento Interno. ''O ideal seria pararmos agora e deixarmos para o ano que vem'', disse o vereador Tercílio Turini (PSDB), lembrando que a maioria das convenções de partidos começa em junho. Pelo levantamento feito mês passado, Turini é o campeão de honrarias entregues desde 2001: 10.
Autor de um projeto de resolução que fixa em três o número de honrarias sugeridas pelo parlamentar em cada legislatura, o vereador Henrique Barros (PMDB) não entende como até hoje o documento, retirado de pauta em 2002, ainda não voltou a Plenário. ''Indiscriminada do jeito que está, a entrega excessiva tira a credibilidade da homenagem e a enfraquece'', argumentou.
Um dos seis vereadores que assinaram o projeto em conjunto com o peemedebista, Renato Araújo (PP) afirma que, além da limitação, é necessário disciplinar por meio de critérios mais rígidos. Araújo é autor de seis homenagens. Hoje, cada vez que uma das três honrarias é sugerida, o vereador faz a defesa de seus argumentos em sessões secretas. Para isso, nelas é apresentada uma biografia da empresa, entidade, pessoa ou instituição indicada.
Presidente do Legislativo e responsável por sete homenagens, Orlando Bonilha (PL) discorda que haja excessos ou flexibilidade de critérios. ''Dependendo da honraria, até estimulamos ações de mais empresas em prol da comunidade. Acho isso bastante criterioso'', avaliou.
Opiniões semelhantes foram compartilhadas pelos vereadores Félix Ribeiro (PMN) e Sandra Graça (PDT), autores, cada um, de cinco honrarias. Para Ribeiro, ''o cuidado não deve ser, necessariamente, a determinação de um limite.'' Já a vereadora acredita que um aprimoramento das normas bastaria para eliminar qualquer possibilidade de banalização.
Em excesso ou não, os títulos não saem de graça ao bolso do contribuinte. Conforme informações da chefe de Cerimonial da Câmara, Andréa Ramondini Danelon, cada sessão solene para a entrega de um Título de Cidadão Honorário ou uma Comenda Ouro Verde não custa menos de R$ 1,7 mil. Nos itens discriminados, constam flores que enfeitam o Plenário, horas extras de funcionários, transporte da Banda Municipal e, claro, a placa de latão dada ao homenageado. Já o Diploma de Reconhecimento Público, de acordo com Andréa, sai em média a R$ 500 cada um.

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