''Londrina não abre mão de sua universidade''. Foi com essa manchete que a Folha publicou uma matéria há mais de 35 anos junto de um decreto que anunciava a instalação da univerdade na cidade antes mesmo dele ser publicado em Jornal Oficial.
A história foi lembrada ontem a tarde, em meio a muitos risos, pelo jornalista João Milanez e o governador da época, Paulo Cruz Pimentel, homenageados na sessão comemorativa aos 35 anos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizada no Teatro Ouro Verde, entre outros pioneiros como o ex-prefeito, Dalton Paranaguá, além de ex-reitores, docentes e funcionários.
''Aqui em Londrina existem alguns loucos e um deles é o João Milanez'', brincou Pimentel. ''Como eu fui eleito na época pelos agricultores, também quis trazer para o Paraná mais cultura e a idéia era a instalação de uma universidade. Lembro até hoje que João Milanez queria que a universidade fosse trazida para Londrina de todo jeito e fez tanto que isso acabou acontecendo. Hoje me sinto extremamente grato por ter feito parte desse grupo.'', lembra o ex-governador.
Uma testemunha ocular do fato narrado pelos pioneiros foi o atual procurador jurídico da UEL, Ruy Carneiro, que lembra muito bem da história. ''Eu trabalhava junto com o Orlando Mayrink Goes, que na época era secretário da Fazenda do Governo do Estado. Ele tinha acabado de assinar a lei que criava as três universidades no Paraná, que eram em Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Como Londrina é diferente de tudo, aqui o decreto foi publicado antes mesmo de ser oficializado, fato que acabou contribuindo para a agilidade da instalação da UEL na cidade'', comentou Carneiro sorrindo.
Cerca de 600 pessoas estiveram participando da solenidade. Entre os homenageados, servidores aposentados desde o ano de 1993, docentes com 30 anos ou mais de UEL que ainda estão em atividades, diretores de centros e chefes de departamentos, ex-reitores e vice-reitores da UEL.
Para o atual reitor Wilmar Marçal, o evento é um ''momento histórico''. ''Existem muitas histórias que precisam ser contadas e mostradas para se perpetuar mesmo. Todas essas pessoas que fizeram parte da construção da UEL devem ser vistas e homenageadas agora, em vida. É aqui que temos a oportunidade de realizar tudo isso'', disse.
O primeiro reitor da UEL, Ascêncio Garcia Lopes, lembra que o entusiasmo era característica marcante entre os primeiros funcionários e colaboradores da universidade. ''Havia uma união, um entrosamento muito intenso. A fase inicial é sempre algo novo mas o entusiasmo cobria qualquer dificuldade que aparecesse. O governo da época contribuiu muito para que tudo ocorresse da melhor maneira. Hoje com esses 35 anos desejamos que a UEL possa ter cada vez mais professores e que não existam problemas como já vimos acontecer em administrações passadas'', disse Lopes.

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