Sid SauerMemóriaEx-vereador Newton de Albuquerque, o único ainda vivo da 1ª legislatura e a ata de instalação da Câmara Uma sessão solene hoje à noite, no Teatro Municipal, vai marcar o 50º aniversário de instalação da Câmara de Vereadores de Campo Mourão. Durante a reunião, serão entregues diplomas de honra ao mérito a 128 ex-vereadores ou seus representantes. A direção da Câmara só não conseguiu localizar 11 das 139 pessoas que já ocuparam o cargo em Campo Mourão. Pela manhã, acontece o descerramento de 11 placas no hall de entrada da Câmara.
Cada placa vai conter os nomes dos integrantes de cada legislatura. Da primeira delas, que tomou posse no dia 5 de dezembro de 1947, apenas o agricultor Newton Ferreira de Albuquerque, 73 anos, continua vivo. Ele foi eleito pelo PSD, aos 22 anos, e, encerrado o mandato, nunca mais quis saber da vida pública. ‘‘Naquela época tudo era difícil’’, relembra. ‘‘O município não tinha nada e era muito grande’’.
Quando se emancipou, em 1947, Campo Mourão tinha um território que ia do Rio Ivaí ao Rio Piquiri. ‘‘Sorte que o povo era muito simples e não pedia quase nada’’. Albuquerque diz que virou vereador influenciado pelo pai, Francisco, um dos principais líderes na luta pela emancipação do município. A primeira Câmara funcionava numa casa de madeira que também abrigava a primeira e a única escola da cidade.
Apesar de eleito vereador nas eleições de 16 de novembro de 47 (Campo Mourão estava com um prefeito provisório desde o dia 10 de outubro) Albuquerque, assim como os outros sete vereadores, não teve nenhum voto. Naquele ano, os 254 eleitores votaram apenas na legenda, o PSD. Houve 28 votos em branco. Foi o diretório do partido, então, quem indicou os vereadores. Albuquerque teve um pouco de sorte. O pai dele era o presidente do partido.
Recordes Hoje à noite, durante a solenidade em homenagem aos ex-vereadores, quem vai falar em nome deles é um membro da segunda legislatura (51/55), Silvino Lopes de Oliveira, 82. Depois de vereador, Oliveira foi prefeito de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão) e atualmente mora em Curitiba. Ao todo, a Câmara de Vereadores de Campo Mourão fez cinco prefeitos, mas só dois - Daniel Portela (51/55) e Augustinho Vecchi (77/83 e 89/92) foram eleitos para o cargo.
Os outros três assumiram o executivo quando eram presidentes da Câmara e o prefeito renunciou ou morreu, numa época em que não havia vice-prefeito. Outros vereadores da cidade viraram posteriormente prefeitos de Peabiru, Janiópolis e Luiziana. A primeira vereadora da cidade, Dúlcia Gomes Delattre (PSD), só assumiu em 1961, após ficar como quarta suplente nas eleições de 1959. A primeira eleita foi Maria Enilda de Oliveira (Arena), em 1972.
Das 139 pessoas que já foram vereadoras em Campo Mourão, apenas seis são mulheres. Em compensação, a ex-deputada Amélia de Almeida Hrsuchka detém desde 1976 o título de vereador mais votado da história de Campo Mourão, com 2.509 votos. O recorde de mandatos pertence ao bioquímico Ephigênio José Carneiro, que entre 1964 e 1988 foi eleito quatro vezes. Já Paulo Vinícius Fortes foi quatro vezes presidente da Câmara, entre 1956 e 59, outro recorde ainda imbatível.

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