Sesp contesta pesquisa sobre criminalidade
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sábado, 23 de setembro de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Paraná contestou ontem os números da criminalidade no Estado divulgados na última sexta-feira pela Secretaria Nacional da Segurança Pública, órgão ligado ao Ministério da Justiça. O secretário de Estado da Segurança Pública (Sesp), Luiz Fernando Delazari, argumentou que os dados usados pelo governo federal são diferentes das estatísticas da polícia paranaense, produzidas atualmente pelo sistema de geoprocessamento, porque o modo de coleta usado pelo Ministério é ultrapassado.
De acordo com os dados do Ministério da Justiça, o Paraná é o terceiro Estado brasileiro no ranking de crimes violentos letais intencionais. Já Curitiba seria a terceira cidade do País que mais registra este tipo de crime (e a primeira capital). Entre os números apontados como errados pela Sesp estão a quantida de homicídios dolosos. A pesquisa mostra que em 2005 foram 3.088 assassinatos para cada 100 mil habitantes no Paraná. Segundo Delazari, o número real é 2.219. Já em Curitiba o índice correto seria de 689 assassinatos para cada 100 mil habitantes e não 793 como mostra o estudo.
O Ministério da Justiça, segundo Delazari, usa dados dos boletins de ocorrência repassados pelas próprias delegacias e pela polícia militar. E por isso, justificou o secretário, podem ocorrer erros, como duplicidade de boletins, por exemplo. ''É um sistema de 1999. As delegacias que estão interligadas alimentam os dados. Ele não é para produzir estatísticas e por isso nunca houve preocupação nossa nesse sentido. Tanto que esta pesquisa nunca foi divulgada antes'', explicou.
A Sesp rebateu alguns outros números. A pesquisa aponta que Foz do Iguaçu teve 325 homicídios dolosos (intencionais) para cada 100 mil habitantes em 2005, figurando como primeira no ranking brasileiro. Delazari argumenta que o número correto é 260 mortes. A quantidade de casos de estupros em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), que coloca a cidade como primeira no ranking brasileiro em 2005, também estaria errada. Ao invés de 83 por cada 100 mil habitantes, seriam 66.
Além de alegar que os dados estão incorretos, Delazari afirmou que a pesquisa não poderia ter comparado os Estados porque os sistemas são diferentes e muitos são precários. ''A pesquisa não tem valor científico. É uma pesquisa furada, sem método, sem auditoria e que pode criar um pânico inexistente'', atacou. Ele afirmou que vai se reunir com outros secretários de segurança na terça-feira, em Brasília, para discutir o assunto.


