Sesa tenta reduzir mortalidade
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Reduzir a taxa de mortalidade infantil para menos de 10 óbitos para cada mil nascidos vivos. Esse é o objetivo, a médio prazo, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) com o programa "Nascer no Paraná: Direito à Vida", lançado ontem, em Curitiba. Dados preliminares de 2009 mostram que o índice atual é de 10,4. Em 2008, ficou em 12,8, dentro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas ainda longe dos números de países mais desenvolvidos.
Já o coeficiente de mortalidade materna em 2008 foi de 56,44 para cada 100 mil nascidos vivos e, em 2009, dados preliminares mostram o coeficiente de 32,4. Segundo o secretário da Saúde, Gilberto Martin, o programa nada mais é que a intensificação e organização das várias medidas que já vêm sendo adotadas pelos municípios paranaenses. "É uma tentativa de otimizar as iniciativas regionais e acrescentar a participação da comunidade. Todas as medidas que adotávamos atingiram um limite e precisávamos avançar", explica.
Dividido em seis passos, parte do programa foi inspirada em ações da Pastoral da Criança. O primeiro passo prevê a implantação de comitês municipais de mobilização pela redução da mortalidade materna e infantil. Com reuniões periódicas, a equipe formada por técnicos e membros da comunidade local irá avaliar dados e cobrar investigações em caso de óbitos de recém-nascidos.
Um sistema de busca ativa e cadastramento de todas as gestantes objetiva criar a cultura da procura a um serviço de saúde na menor suspeita de gravidez. Com o segundo passo implementado, cabe ao poder público garantir o pré-natal a todas as gestantes. A novidade dessa etapa será a recomendação de três exames de urina, por ser comprovado que uma simples infecção urinária é responsável por vários casos de parto prematuro. Garantir maternidade pré-estabelecida na última consulta do pré-natal e implantar equipes de vigilância do recém-nascido são duas etapas inéditas para a grande maioria dos municípios do Estado. A vigilância visitaria, diariamente, as maternidades locais coletando dados, com base em um check-list, sobre todos os nascidos. O último passo do programa prevê a garantia do acompanhamento da criança durante o seu primeiro ano de vida.
Martin espera que até o fim do ano o programa esteja inteiramente implementado. Ele não prevê grandes investimentos financeiros, mas sim a otimização dos recursos já disponíveis. Para o presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando de Macedo, o que faltava no Estado para o combate à mortalidade materno-infantil era a integração entre a sociedade científica, civil e os órgãos públicos.
Na opinião da coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, o programa do Paraná está no caminho certo. No entanto, ela recomendou duas medidas: reforçar a orientação às jovens mães sobre a maneira correta de colocar o bebê para dormir -medida que pode reduzir a quantidade de óbitos por morte súbita- e que a primeira dose do antibiótico para a criança com pneumonia seja dada na consulta de diagnóstico, já que esperar duas horas nessa situação pode significar a diferença entre a vida e a morte.


