Sesa quer controlar estoque de vacinas para evitar desabastecimento
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2019
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

Desde 2016, o Ministério da Saúde não consegue enviar aos estados um volume suficiente de doses das vacinas que fazem parte do PNI (Programa Nacional de Imunização) em razão do atraso na produção pelos fabricantes, segundo a Sesa (Secretaria Estadual de Saúde). O desabastecimento também é agravado pela dificuldade das regionais de saúde e dos municípios de alimentarem adequadamente o sistema de informações com dados precisos sobre os estoques. Para tentar solucionar o problema e evitar que a população fique sem as doses, a secretaria iniciou um levantamento para avaliar a situação dos municípios paranaenses com relação às vacinas.
Uma das vacinas que sempre são encaminhadas ao Paraná em doses abaixo do necessário, segundo a Sesa, é a meningocócica C, contra a meningite, ministrada a bebês entre três e cinco meses de vida, com reforços aos 12 meses e também entre os 11 e os 14 anos de idade. "Hoje, a necessidade nossa é de 88 mil doses mensais, mas recebemos apenas 66 mil, em média. Não é que o Ministério da Saúde não queira repassar, mas tem desabastecimento no laboratório produtor", disse o diretor do Centro Estadual de Epidemiologia da Sesa, João Luís Crivellaro. A baixa na produção afetou a imunização em Cascavel (Oeste).
O levantamento vai permitir ao governo do Estado identificar em quais localidades há uma quantidade de vacinas acima da demanda e onde há o risco de falta e fazer a redistribuição de acordo com as necessidades de cada regional. Dessa, forma, acredita Crivellaro, os períodos de desabastecimento no Ministério da Saúde terão um impacto menor nas unidades básicas de saúde do Paraná. "É importante que os municípios e as regionais de saúde atualizem o sistema de informação diariamente. A gente sempre procura disponibilizar (as vacinas) de acordo com o critério populacional, por isso a movimentação do estoque por parte dos municípios é fundamental", explicou.
O controle rigoroso também auxiliaria os municípios a fazer a redistribuição entre as unidades básicas de saúde. "Pode acontecer que em uma UBS determinada vacina já tenha acabado, mas ainda pode estar disponível em outra unidade. O município procura se organizar e orientar a população", destacou Crivellaro. "No Ministério da Saúde a gente não tem governabilidade em relação a isso, então a preocupação do secretário de Saúde (Beto Preto) é otimizar a distribuição para que os municípios estejam mais preparados."
As vacinas são enviadas aos municípios quinzenalmente e a distribuição obedece a rotas estabelecidas previamente pela Sesa. O transporte exige uma logística própria e veículos especiais em razão da perecibilidade do produto e, portanto, não podem ser enviadas a qualquer momento, quando os municípios se dão conta da baixa em seus estoques. "Se uma rota saiu na segunda-feira e chegou ao destino na terça-feira, uma nova carga só vai sair de novo em 15 dias. Se o município não comunicou que iria precisar de vacina, até chegar uma nova rota, vai faltar. Se o sistema aponta que em uma localidade tem cem doses, eu não vou mandar, por isso é importante o sistema estar sempre atualizado", disse Crivellaro.
Além da meningocócica C, outras vacinas também têm falhas na distribuição. Difteria, tétano, coqueluche e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), por exemplo, costumam ter atrasos nos repasses pelo Ministério da Saúde em razão de demora na produção, segundo Crivellaro. "A gente procura atender a demanda. Se não manda em um mês, manda no outro e a gente faz a otimização para evitar a questão da perda."
CASCAVEL
Para resolver a falta de vacinas na Região Oeste e parte da Sudoeste, a Sesa informou que no fim de janeiro enviou um lote da vacina meningocócica C, o que deveria suprir a demanda. Para Cascavel, foram encaminhadas 2.880 doses. No mesmo lote, foram enviadas também duas mil doses da vacina DTP, contra difteria, tétano e coqueluche.
A Prefeitura de Cascavel confirmou o recebimento de lotes das vacinas meningocócica C e DTP. Segundo a secretaria de Comunicação, as 2.880 doses da meningocócica C foram enviadas às 25 cidades que abrangem a 10ª Regional de Saúde e, desse total, 1.550 doses ficaram no município. O estoque em Cascavel é suficiente para uma semana e meia de abastecimento nas unidades básicas de saúde.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Em nota, o Ministério da Saúde informou que a pasta mantém a distribuição regular de vacinas a todo o País e que, anualmente, são distribuídas cerca de 300 milhões de doses para combater mais de 20 doenças, em diversas faixas etárias. Para o Paraná, foram enviadas, em 2018, 15,7 milhões de doses.
O ministério disse ainda que o planejamento de aquisições de vacinas do PNI é feito com pelo menos 18 meses de antecedência, mas que em casos pontuais de falta de vacinas, trabalha para regularizar dos estoques. No caso da meningocócica C, o Paraná recebeu, no ano passado, 563,4 mil doses, suficiente para atender a demanda até janeiro de 2019.
O governo federal reconheceu, no entanto, que a distribuição da meningocócica C sofreu redução durante alguns meses de 2018 devido a atrasos na entrega pelo laboratório produtor, como havia informado a Sesa.


