Servidores vão à Justiça cobrar horas não pagas
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terça-feira, 22 de agosto de 2000
Carolina Avansini De Londrina 
Servidores municipais de Londrina decidiram cobrar judicialmente as horas trabalhadas e não pagas resultantes da ampliação, em uma hora, da carga horária da categoria. A dívida está acumulada desde dezembro de 1997, quando o prefeito cassado Antônio Belinatti aumentou a jornada de seis para sete horas, sem promover aumento nos salários.
A decisão foi tomada depois que o prefeito Jorge Scaff (PSB) rejeitou a possibilidade de reduzir o período de trabalho para seis horas. Em assembléia realizada na noite de segunda-feira, ficou acertado que os servidores entrarão com ações individuais para receber a dívida, que totaliza R$ 42 milhões.
Esse valor vai aumentar R$ 850 mil por mês, pois continuaremos trabalhando sem ganhar até o desenrolar do processo, que deve se estender por mais de seis anos, explicou Marlene Valadão Godoy, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv).
O primeiro grupo de ações será encaminhado para a Justiça na semana que vem. Os servidores interessados devem procurar a assessoria jurídica do sindicato, informou Marlene. De acordo com cálculos do Sindserv, cada funcionário tem direito a 16,7% mensais sobre o salário, retroativos a todo o tempo que trabalharam uma hora extra diária.
André Victorelli, secretário municipal de Recursos Humanos, ainda não se reuniu com o prefeito para decidir um posicionamento sobre o tema e definir a possibilidade de contra-proposta. Entrar com as ações é um direito que lhes assiste, mas acho que os servidores precisam pensar melhor sobre o momento delicado que a prefeitura enfrenta, antes de tomar qualquer decisão. Se eles estão realmente preocupados com o Município, deveriam tentar novas negociações, ressaltou.
Preocupados com a possibilidade de atraso no pagamento de agosto, por causa das dificuldades financeiras enfrentadas pela prefeitura, os funcionários municipais também decretarem uma assembléia permanente na reunião de segunda-feira. Se os salários não forem depositados até o dia 31, vamos discutir uma possível greve, completou a presidente do sindicato.
Exonerações Seis funcionários comissionados foram exonerados pela administração e devem ser substituídos de acordo com indicações do prefeito Jorge Scaff. Dois deles eram da Secretaria da Educação e outros dois estavam na Cultura; Ação Social e Administração perderam um funcionário cada.
Victorelli não quis entrar em detalhes sobre o motivo das demissões, mas ressaltou que a substituição era necessária no momento. Ele também confirmou o desligamento do funcionário André Leonardo, que trabalhava na Secretaria de Fazenda e fraudou o recebimento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A demissão foi registrada na segunda-feira, ele não tem mais nenhum vínculo com a prefeitura, informou o secretário.


