Servidores usam seu dia para protestar
Dimitri do Valle
De Curitiba
No dia do funcionário público, duas categorias de servidores estaduais realizaram ontem à tarde, em Curitiba, protestos contra as precárias condições salariais e de trabalho. O funcionalismo da Saúde promoveu manifestação na Boca Maldita, no centro da capital, enquanto os trabalhadores do Poder Judiciário se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça para exigir reposição de perdas de 53,06% nos últimos quatro anos.
Os servidores do judiciário realizaram em uma semana o segundo protesto, que culminou com a paralisação dos trabalhos no TJ e nos Fóruns das comarcas do interior do Estado. O presidente do TJ, desembargador Sydney Zappa, determinou o desconto salarial de todos os servidores pelas horas paradas. A medida foi interpretada pelos manifestantes como perseguição. Esta atitude é comparável a cárcere privado, disse o coordenador geral do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sindijus), David Machado.
A assessoria de imprensa do TJ justificou que Zappa entendeu a greve como ilegal. A greve do servidor público não está regulamentada, informou a assessoria. Uma comissão de servidores se encontrou com o secretário do TJ, Jorge Curi, e o diretor de serviços gerais, Ariel Amaral Filho. Ficou definido no encontro que os representantes da categoria e Zappa vão conversar sobre as reivindicações na próxima quinta-feira, dia 4.
Os servidores querem que o desembargador Sydney Zappa interceda junto ao governador Jaime Lerner para autorizar um pagamento parcelado da reposição salarial, que segundo David Machado, já foi ganha na Justiça. Ele considera que o dinheiro poderá retirar metade dos servidores do sufoco financeiro. Machado disse que cerca de 2 mil trabalhadores estão em débito com banco e agiotas.
Para afastar a melancolia que frequentemente norteia uma manifestação de servidores, o Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde (SindSaúde) realizou um protesto inusitado na Boca Maldita. Os slogan do sindicato era faça luta com humor. Os diretores da entidade se vestiram de palhaços para reclamar das más condições de trabalho mantidas pelos governantes do País ao longo desta década.
Já são 10 anos de Fernandos e, durante esse tempo, muito vem sendo feito para desmoronar o Estado, mesmo nas funções essenciais e o desmonte tem dado resultado, criticou a coordenadora do SindSaúde, Maria Elaine Rodella, numa referência ao ex-presidente Fernando Collor e ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A sindicalista acredita que o serviço público de saúde está reduzido à cinzas. Para ela, os governantes têm se mostrado incompetentes na apresentação de soluções que possam combater a crise na Saúde.
A coordenadora do SindSaúde acredita que mensagem repassada ontem pode estimular a população a participar de outros atos de protesto para pressionar as autoridades. Mary Rodella cita que a exemplo do setor de Saúde, a educação e a segurança pública também sofrem com o descaso dos administradores.
É um espetáculo deprimente. Assistimos a um País arrasado e à população sem esperança, sem perspectiva, lamenta.Funcionários do Poder Judiciário e do setor de Saúde reclamaram contra os baixos salários e as precárias condições de trabalho
Mauro FrassonMANIFESTAÇÃOOs servidores do Poder Judiciário se reuniram em frente ao TJ para exigir reposição salarial de 53,06%





