Servidores trabalham sem proteção
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terça-feira, 11 de março de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Sid SauerOperários fazem reparos sem equipamentos; servidor acidentado foi enterrado anteontemCAMPO MOURÃO - Funcionários da Prefeitura de Campo Mourão fizeram ontem reparos no telhado da secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo sem usar nenhum equipamento de proteção. A cena, flagrada pela Folha, aconteceu apenas um dia depois do enterro do servidor Oudaías da Silva, 32, que morreu domingo à tarde em Maringá, vítima de um acidente de trabalho.
Oudaías caiu do telhado da varanda do Centro de Convivência do Idoso, onde fazia reparos, na quarta-feira, e teve traumatismo craniano. Ele ainda ficou internado dois dias em Campo Mourão. Seu estado de saúde piorou na sexta-feira. Por isso, ele foi transferido para uma UTI em Maringá, onde morreu. Oudaías era solteiro e trabalhava na Prefeitura desde 1991. Era um de nossos melhores funcionários, admite o secretário de Administração, Arlindo Piacentini Filho.
O secretário disse que a prefeitura fez tudo o que pôde no atendimento ao servidor, inclusive o transporte a Maringá numa ambulância equipada com UTI e o pagamento antecipado de R$ 5 mil para que o hospital atendesse o caso. Segundo Piacentini, a prefeitura nunca teve Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), mas há equipamentos de proteção e os servidores só não usam porque não querem. Já pedimos para que isso fosse feito até por escrito.
O secretário de Obras e Serviços Públicos, Ademir Moro Ribas, acredita que o acidente que vitimou Oudaías foi uma fatalidade. Ele caiu de pouco mais de dois metros de altura, frisa. Além disso, é estranho que um funcionário tão experiente tenha pisado no meio de uma telha. Ribas alega também que esse tipo de serviço e o que vinha sendo realizado ontem não são realizados com cintos de segurança.
A falta de Cipa na prefeitura já tinha chamado a atenção do sindicato dos Servidores, que incluiu na pauta de reivindicações da data-base a criação de um Conselho de Segurança no Trabalho. Outro sindicato, o da Construção Civil, já havia denunciado no ano passado os abusos cometidos pela iniciativa privada pela falta de fiscais do trabalho em Campo Mourão.


