O balanço do primeiro dia da greve dos servidores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi considerado positivo pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Ensino de 3º Grau da Região Metropolitana de Curitiba (Sinditest). Pela manhã, os servidores ocuparam a reitoria da universidade e suspenderam o atendimento nas bibliotecas e nos restaurantes universitários. ‘‘Conseguimos paralisar o trabalho em alguns departamentos, alcançando uma grande adesão dos funcionários’’, informou o vice-presidente da entidade, Ivan Santos do Carmo, que até o fim da tarde não tinha o balanço do número de grevistas.
Para Carmo, o movimento deve ganhar força hoje, com a paralisação dos professores e a adesão dos estudantes. ‘‘Vamos realizar manifestações em conjunto’’. Os professores fazem sua primeira manifestação hoje, às 9 horas, na Reitoria.
Os servidores esperam a posição dos professores para decidir se também paralisam parte dos serviços de atendimento médico no Hospital das Clínicas. ‘‘Vamos começar com a interrupção do atendimento dos convênios particulares’’, avisou. Ontem, os servidores atenderam normalmente, mas deixaram de lado as consultas do Projeto Casa, que atende os universitários.
Incômodo - Para evitar a entrada em alguns prédios, os servidores fizeram piquete nas portas. Alguns funcionários que quiseram entrar foram barrados pelos grevistas. ‘‘Apóio a greve, mas não concordo com a posição deles de proibir a minha entrada na universidade’’, reclamou a chefe de gabinete da Vice-Reitoria, professora Amélia Ceccato.
Marcelo AlmeidaO estudante de História Odilon Viana de Araújo Neto, a favor do movimento disse que os servidores têm razão em reclamar, já que estão há três anos sem reajuste
O reitor José Henrique de Faria disse ser favorável à greve, porque a situação da universidade é grave. ‘‘Está havendo mercantilização da educação, com o sucateamento do ensino público’’, afirmou. Segundo ele, nos últimos seis anos, 2.250 funcionários deixaram a universidade. ‘‘Desses, 1.120 eram professores, cerca de 60% deles mestres e doutores’’.
A suspensão dos serviços também não agradou alguns alunos. O estudante de Medicina Claúdio Soares reclamou que a paralisação do restaurante o prejudicou. ‘‘Entendo os motivos deles, mas dependo dessa comida para me sustentar’’, criticou. A estudante de Letras Ana Paula Taques também não gostou da paralisação. ‘‘Vim aqui pegar uns livros na biblioteca, mas encontrei a porta fechada. O problema é que nem sempre essas manifestações adiantam’’, reclamou. Já o estudante de História Odilon Viana de Araújo Neto disse que apóia o movimento. Para ele, os servidores têm razão em reclamar, já que estão há três anos sem reajuste.

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