Macros NegriniIndignaçãoSônia dos Santos, licença depois de ser agredida por paciente no HUA auxiliar de enfermagem Sônia Terezinha dos Santos, que trabalha há sete anos no pronto-atendimento do Hospital Universitário de Maringá (HU), denunciou ontem a agressividade de pacientes e familiares atendidos pelo hospital. Por causa do excesso de vítimas encaminhadas ao HU nos períodos de plantão, explica ela, os funcionários em todos os níveis estão sujeitos a maus-tratos por parte de pacientes e familiares. ‘‘Reconheço que este tipo de problema acontece em todos os hospitais, mas no HU a situação é bem mais crítica’’, afirma.
Sônia decidiu fazer a denúncia, em forma de alerta aos usuários dos serviços do HU, depois de ser agredida por um paciente e sofrer uma lesão na coluna. Ela conta que estava de plantão na madrugada do dia 14 de setembro, um domingo, quando foi auxiliar os bombeiros na remoção de um paciente para o interior do hospital. Quando se aproximou da maca, o paciente, que ela prefere não identificar, deu um empurrão e Sônia caiu de costas, lesionando a coluna. ‘‘Esta foi a primeira agressão mais grave que sofri, mas diariamente somos obrigados a enfrentar o problema várias vezes’’, afirma.
Ela diz que está parada há uma semana, com problemas para se locomover e tendo que esperar por atendimento médico para prosseguir o tratamento. ‘‘O prejuízo vem de todos os lados, principalmente psicológico já que a gente se sente impotente para mudar a situação’’, afirma.
Sônia explica que todos os pacientes que chegam ao HU passam pela enfermagem. ‘‘A gente acaba sem tempo até para se reunir e tentar uma solução, já que a maioria do pessoal tem mais de um ou dois empregos’’, desabafa.
O alerta, explica Sônia, é uma tentativa de conscientizar os pacientes ‘‘de que os profissionais que trabalham no HU não têm culpa pela falta de estrutura’’ do hospital. ‘‘A ordem é preservar as condições físicas dos pacientes e fazemos tudo para isso, mas também queremos ser preservados’’, diz.
Polícia A chefe de enfermagem do HU, Inês de Godoi, disse ontem à Folha que o hospital tenta evitar a agressão ao pessoal mantendo reforço policial na recepção aos pacientes. ‘‘Mas é difícil prever quando o paciente está prestes a agredir’’, afirma. Ela acha que o serviço de recepção deveria ser feito por enfermeiros homens, mas eles são apenas 10% dos profissionais que trabalham no pronto-atendimento do HU.
‘‘O ideal seria melhorar o atendimento, mas já que isso é impossível pelo menos a curto prazo, a saída é que pacientes e familiares entendam a situação’’, acha. Inês diz ainda que os casos mais comuns de agressão partem de pacientes alcoolizados. Segundo a chefe, o caso de Sônia é o segundo com gravidade em cerca de um ano.

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