Os servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que trabalham no Hospital Universitário decidiram ontem à tarde, em assembléia, que não vão assinar a folha-ponto em substituição ao controle eletrônico. Os relógios de cartão eletrônico foram lacrados, por determinação da reitoria, e os servidores deveriam assinar o ponto em folhas separadas por setor.
‘‘Ninguém vai assinar o controle de ponto, porque entendemos que isso foi uma afronta’’, frisou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria da Cruz.
Ontem foi mais um dia de impasse na greve da UEL, que já dura 135 dias. Além da recusa em assinar o controle de ponto, os servidores (assim como os professores) decidiram que a paralisação continua, apesar das decisões judiciais e dos dois atos executivos baixados pelo reitor Pedro Gordan que determinam volta ao trabalho.
Os atos executivos, resultantes de duas liminares – uma delas concedida pela Justiça Federal –, determinam a volta de 75% dos servidores e o retorno imediato das atividades no HU e Ambulatório do Hospital de Clínicas (HC).
Servidores e professores aprovaram autorização para que a assessoria jurídica do comando de greve entre com recursos no Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, e no Tribunal de Justiça (TJ) questionando as liminares. O principal argumento, segundo o advogado do comando de greve, Jorge Aidar, é que funcionários e professores estão praticando um direito legítimo de greve, previsto na Constituição. ‘‘O HU em nenhum momento parou de funcionar. Os servidores cumpriram a lei.’’
Quanto às multas previstas pela Justiça, que somam R$ 65 mil por dia, Aidar afirmou que são ‘‘inexequíveis’’, já que os sindicatos não têm condições de pagá-las. Com os recursos impetrados, as multas ficam temporariamente suspensas.
Após a assembléia realizada no campus, ontem de manhã, os servidores seguiram em passeata para a reitoria, onde protestaram contra os atos executivos. Segundo o presidente da Associação dos Servidores da UEL (Assuel), Itamar Nascimento, o objetivo foi promover pedir que o Conselho Universitário seja convocado para discutir as últimas decisões de Gordan. ‘‘Queremos que o Conselho Universitário revogue e anule os atos. A Justiça Federal deu um prazo de cinco dias para o reitor, mas ele preferiu baixar o ato imediatamente. Isso não é ato executivo. É ato de repressão.’’
Em frente à reitoria, os servidores chamaram Gordan de interventor do Estado e, após rasgar e amassar cópias dos atos executivos, viraram as costas e cantaram o Hino Nacional. O presidente da Assuel afirmou que a primeira tentativa de revogar os atos executivos será junto ao Conselho Universitário. Se não der resultado, os sindicalistas pedirão a anulação na Justiça.
Ontem os formandos de matemática, engenharia civil, geografia e enfermagem retomaram suas atividades acadêmicas, segundo a assessoria de imprensa da UEL. Os formandos em odontologia recomeçam no dia 30. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) se reúne hoje à tarde para analisar a situação dos outros 30 cursos.

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