A falta de reajuste salarial dos funcionários públicos há quase três anos está obrigando os trabalhadores do quadro geral do Estado a recorrer a empréstimos bancários para pagar suas dívidas. Segundo sindicatos de várias categorias do funcionalismo público, são poucos os funcionários que não estão atolados em contas atrasadas. ‘‘Como o salário é pequeno, as pessoas têm nos empréstimos a única esperança para poder pagar suas contas’’, afirma o presidente do Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultura (Sindi/Seab), Roberto de Andrade e Silva.
Hoje, dia de pagamento dos 42 mil funcionários públicos estaduais, os sindicalistas dizem que são poucos os trabalhadores que encontrarão algum dinheiro na conta. Como os descontos dos empréstimos bancários são feitos diretamente na folha de pagamento, os valores devidos são descontados antes do dinheiro entrar em conta corrente. ‘‘Muita gente vai receber seu salário e já precisará fazer um novo empréstimo para pagar outras contas’’, afirma Andrade e Silva.
O técnico agrícola Antônio Carlos Borges, de 45 anos, é um exemplo do novo perfil do funcionário público. Com 26 anos de trabalho na Secretaria Estadual da Agricultura, ele conta que precisou fazer um empréstimo de R$ 1 mil para pagar a parte final da reforma de sua casa. Eliminadas estas contas e pagando o empréstimo, Borges diz que vai conseguir se manter ‘‘por mais alguns dias’’ com o salário do Estado. ‘‘Quando sobra algum dinheiro no banco, é só uma quantia que dura mais dois ou três dias. Depois, um novo empréstimo precisa ser feito’’, afirma.
Borges conta que quando começou a trabalhar, o fato de ser funcionário público ‘‘dava status’’. Hoje, ele diz ter vergonha de ganhar menos de um terço da quantia recebida por muito colegas seus, que fizeram opções diferentes de trabalho. ‘‘Sempre digo para os meus filhos que hoje a pior escolha é o emprego público’’, afirma. Atualmente, Borges recebe um dos maiores salários do quadro geral do Paraná: R$ 494,00.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, diz que a situação do funcionalismo público tem poucas chances de mudar. Ele descarta qualquer possibilidade de aumento salarial, alegando que a Lei Rita Camatta - que estabelece que o gasto com a folha de pagamento não pode ultrapassar 60% da receita líquida do Estado - impede os reajustes. ‘‘Se aumentarmos os salários, poderemos prejudicar outros investimentos’’, afirma.Sem reajuste salarial há quase três anos, funcionários públicos estaduais se afundam em dívidas para pagar suas contas

Albari RosaSufocoAntônio Borges: 26 anos de trabalho como técnico agrícola e salário de R$ 494,00: ‘‘Quando sobra algum dinheiro no banco, só dura dois ou três dias’’Secretário da
Fazenda diz que
situação tem poucas
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