Os servidores municipais de Curitiba dizem ter saído frustrados da reunião que tiveram ontem com o prefeito Cassio Taniguchi. Eles tentaram negociar o plano de cargos e salários entregue pelos sindicatos à prefeitura há três meses, mas ouviram um não como resposta. Segundo a Prefeitura, o plano dobraria a folha de pagamento, o que é inviável. O magistério municipal está em estado de greve e, como os demais servidores municipais, tem assembléia marcada para o próximo dia 21, quando analisam a possibilidade de paralisar as atividades.
Os representantes do sindicato dos servidores públicos (Sismuc) e do magistério municipal (Sismmac) se reuniram ontem pela manhã com o prefeito Cassio Taniguchi. ‘‘A única coisa que o prefeito disse é que o diálogo está aberto. O discurso da administração é sempre esse’’, afirmou o presidente do Sismuc, Paulo Rogério de Jesus. Os servidores querem o pagamento das perdas dos últimos 12 meses (4,48%) e o reajuste salarial para recuperar as perdas históricas, que somam 33%. ‘‘Além disso, queremos a progressão funcional (3%) que já devia ter sido paga no primeiro semestre’’, disse Jesus.
Os professores municipais aproveitaram a reunião de ontem para falar do plano de cargos, carreira e salários, que foi entregue à prefeitura há três meses. ‘‘Uma das propostas é o pagamento pela maior habilitação, que tínhamos até 1991’’, afirmou a tesoureira do Sismmac, Josete Dubiaski da Silva. A idéia é que os professores recebam pela habilitação e não pela função que exercem. ‘‘Muitos professores do pré à 4ª série têm pós-graduação e isso acaba não contando na carreira.’’
O piso inicial seria de R$ 574,00 e aumentaria de acordo com a habilitação. Hoje, o piso é de R$ 319,97. Quem tivesse licenciatura plena, como é o caso de cerca de 70% dos professores municipais, chegaria a ganhar R$ 1.068,00. Profissionais com especialização poderiam receber R$ 1.314,00.
O Sismmac também propõe a valorização profissional no caso de participação em cursos ligados à Educação, com duração a partir de 12 horas.
Taniguchi disse que a proposta do sindicato é inviável porque duplica a folha de pagamento. O prefeito afirmou que fará novos estudos para apresentar uma contraproposta à categoria.
Os professores acham que a prefeitura deveria abrir concursos públicos para novas contratações. ‘‘Muitas escolas estão sem profissionais. Os professores têm que fazer dupla jornada para suprir a falta.’’ O prefeito Cassio Taniguchi disse que, no momento, não há possibilidade de abrir concurso público pela falta de recursos para o pagamento.
IPMC - Os servidores pediram explicações sobre a situação do Instituto de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC). Segundo eles, há informações de que a prefeitura não estaria repassando verba para o IPMC. ‘‘Às vezes, os usuários têm que pagar uma ou duas consultas porque os credenciados reclamam que não estão recebendo da prefeitura.’’ Josete disse que hospitais, médicos e dentistas cortaram o atendimento. Os servidores reclamam que estão pedindo prestação de contas há um ano.
O prefeito admitiu que há uma dívida de dois a três meses com o IPMC, mas que ela será paga até o final do ano. A prefeitura mudou toda a diretoria do IPMC para contornar o problema. Taniguchi sugeriu que se monte uma comissão paritária para discutir todas as questões, inclusive a do IPMC.

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