Especial para a Folha
Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná recuaram e resolveram não tentar impedir o funcionamento do Hospital de Clínicas, ontem em Curitiba, como havia sido decidido na terça-feira à tarde. O HC funcionou normalmente, apesar de problemas com a escala de trabalho dos médicos durante a tarde, devido a problemas administrativos, segundo a assesoria de imprensa.
Funcionária do setor técnico de cirurgia do hospital, a presidente do Sinditest, Roseli Isidora, disse que os servidores ponderaram em reavaliar a paralisação do hospital, temendo uma reação negativa da opinião pública. Segundo Roseli, os servidores querem chamar a atenção da população para a situação dos funcionários, que também estão em greve há quase dois meses, assim como os professores. ‘‘Não queremos criar conflitos com a comunidade e suspendemos a paralisação também em função do jogo do Brasil e do feriado’’, disse ela. O movimento também foi prejudicado pelo fato de sexta-feira não haver expediente na UFPR, de modo que a paralisação seria esvaziada. Roseli Isadora relata que o comando de greve está divivido, já que há integrantes favoráveis à radicalização (com o fechamento do hospital) e outros mais ponderados, preocupados com a repercussão negativa.
Pressão - Os servidores, no entanto, preparam novas manifestações para a semana que vem. Na segunda-feira acontece mais uma assembléia e na terça-feira de manhã o alvo são os deputados federais, que retornam a Brasília. No embarque no Aeroporto Afonso Pena, os servidores vão pressionar os parlamentares para que o governo federal abra um canal de diálogo ‘‘e pare de blefar com os servidores, como vem fazendo até agora’’. É que o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, está oferecendo aumento diferenciado para as categorias em greve, mas há divergência sobre os percentuais: o governo oferta 13% e os funcionários querem 33%.
Legítima - O diretor-geral do Hospital de Clínicas, Mitsuru Myaki, disse ontem que a direção do hospital considera legítima a greve dos servidores, mas não vê motivo para paralisação dos serviços do hospital. Segundo ele, o HC tem um caráter estritamente assistencial e a falta de atendimento iria prejudicar justamente a população mais carente. Além disso, afirmou ele, ‘‘a manutenção dos serviços é uma forma diferenciada de se fazer a greve, porque continuamos prestando atendimento’’.Arquivo FolhaGrevistas reavaliaram a paralisação do Hospital de Clínicas, temendo uma reação negativa da opinião públicaEledovino Bassetto Junior

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