Cerca de 70 servidores estaduais do Hospital Carolina Lupion, em Jaguariaíva (128 km ao norte de Ponta Grossa), fizeram um protesto ontem e pararam o atendimento por cerca de uma hora. Eles pedem reajuste salarial de 50,03%, pagamento de horas extras e contratação de mais funcionários.
Há cerca de dez anos o Estado firmou um convênio com o município, que passou a administrar o hospital. Mas, segundo os funcionários, de lá para cá município e Estado deixaram de fazer contratações, sobrecarregando os demais servidores.
Segundo a auxiliar de enfermagem Neiva Ione Correia da Silva, há funcionários com mais de 320 horas extras para receber. ''Agora eles querem nos oferecer compensação dessas horas, mas não tem funcionário para ficar no lugar dos que folgam'', explica.
O hospital tem 125 empregados - 70 fazem parte do quadro estadual e os demais são servidores do município. Só os funcionários estaduais participaram do protesto. ''Os do município não aderiram porque foram ameaçados de demissão'', disse Neiva. Para os manifestantes, seriam necessários pelo menos mais dez funcionários para atividades de limpeza e cozinha, além de mais dois auxiliares de enfermagem em cada um dos cinco setores de atendimento.
O diretor administrativo do hospital, Dinarte da Costa Passos, disse que respeita o movimento, mas não vê justificativa. ''O Estado está fazendo a compensação de horas. E para um hospital do tamanho do nosso, 125 funcionários são suficientes'', considerou.
Outra denúncia feita pelos manifestantes é sobre o uso do hospital público para atendimento particular e através de convênios. ''Há cerca de cinco anos denunciamos para o Conselho Estadual de Saúde e até agora ninguém tomou providências'', acusou Neiva.
O diretor administrativo do hospital reconheceu que a atividade é ilegal. ''Mas não é imoral. Mesmo assim, em agosto suspendemos os atendimentos particulares. Só mantivemos os convênios cujos contratos ainda não venceram'', defendeu-se, e garantiu que assim que esses contratos forem encerrados não serão renovados.
Os manifestantes passaram o dia tentando agendar uma audiência com a secretária municipal de Saúde, Maria Tereza Barros, mas só conseguiram falar com ela rapidamente, quando deixava o seu local de trabalho. ''A única coisa que nos disse é que o município não consegue manter o hospital e que se o Estado não assumir novamente a administração, o hospital pode fechar'', contou Neiva.

mockup