Cerca de 90% dos alunos de escolas municipais de Foz do Iguaçu não tiveram aula ontem, em consequência da paralisação dos servidores que protestavam contra o atraso no pagamento dos salários. Creches e postos de saúde funcionaram normalmente, embora com quadros reduzidos.
Segundo o Sindicato dos Servidores Municipais (Sismufi), 30% dos 4,5 mil servidores deixaram de trabalhar ontem e deverão aderir, a partir de hoje, a uma operação tartaruga que se estenderá até sexta-feira. ‘‘Vamos trabalhar em ritmo mais lento. Nas escolas, poderemos dispensar os alunos depois do recreio’’, diz Luis Carlos Silva de Oliveira, presidente do Sismufi.
O sindicato, que nos últimos oito meses, protesta contra os constantes atrasos no pagamento dos salários, decidiu promover manifestações de maior repercussão. Organizou duas passeatas com cerca de 500 participantes que percorreram ruas e avenidas do centro da cidade. Os manifestantes protestaram em frente ao prédio da Câmara Municipal e tomaram, por uma hora, o saguão da prefeitura.
Os protestos continuarão durante a semana, apesar do município ter depositado ontem pela manhã para os funcionários com faixa salarial entre R$ 400 e R$ 600,00, os salários de fevereiro. ‘‘Queremos receber no dia 5. O pagamento atrasado causa muitos transtornos. É um desastre até para o comércio. Temos cerca de 800 servidores no Ceproc’’, defende Oliveira.
Alegando falta de recursos, a prefeitura adotou o pagamento escalonado. Há uma semana, os servidores que ganham até R$ 400,00 foram pagos. Na sexta-feira será a vez dos que ganham entre R$ 600,00 e R$ 700,00 e no dia 29, a escala contempla os que recebem mais de R$ 700,00.
Para a administração municipal, os cofres abastecidos com o dinheiro do IPTU (cuja primeira parcela vence esta semana), permitirão o pagamento em dia. ‘‘A crise está muito feia. Muita gente está sem emprego por causa da crise do comércio no Paraguai. Vai haver muita inadimplência e o dinheiro arrecadado será muito menor do que eles estão imaginando’’, prevê Oliveira.

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