Funcionários da Prefeitura de Doutor Camargo (32 km a oeste de Maringá) protestaram ontem por causa do atraso dos salários, desvio de funções e ‘‘perseguição política’’. Parte do comércio da cidade já cortou o crédito para os servidores que não conseguem mais comprar ‘‘fiado’’ em mercados e farmácias. A situação está revoltando as famílias, que recebem ajuda de parentes e doação de cestas básicas distribuídas por igrejas.
O presidente da Associação dos Funcionários Municipais, José Gildo dos Santos, que há 16 anos trabalha na prefeitura como mestre de obras e recebe R$ 330,00 mensais, disse que pelo menos 70 dos 250 servidores estão com os salários atrasados desde maio. Cerca de 40 funcionários protestaram ontem em frente ao prédio da prefeitura.
Segundo o tesoureiro da prefeitura, Valdevino Bessani, irmão do prefeito Valter Bessani (PFL), apenas 18 funcionários têm salários atrasados desde maio. Os demais estão sem receber há dois meses e em outros casos há um mês. ‘‘Nós não atrasamos o pagamento do tíquete para compras que equivale a quase metade do valor dos salários’’, disse Bessani. Para o tesoureiro, os funcionários que participavam do protesto têm ‘‘interesses políticos’’.
Valdevino admitiu, porém, que a prefeitura está com excesso de funcionários e que a folha de pagamento consome cerca de R$ 90 mil mensais. Ele garantiu que ontem seriam depositados os salários dos funcionários que estavam protestando.

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