Os servidores estaduais pretendem apresentar um projeto alternativo para evitar a terceirização dos serviços de saúde do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Na semana passada, representantes de diversas entidades do funcionalismo público estadual criaram uma comissão, que aprovou a indicação de um modelo de autogestão para controlar a área da saúde. Agora, a intenção é formalizar uma proposta fechada e entregar nos próximos dias ao governador Jaime Lerner (PFL).
‘‘Os atendimentos e procedimentos médicos foram deixados no limbo, depois da criação do ParanáPrevidência, afetando quase 400 mil pessoas que usam os serviços do instituto’’, afirmou o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde do IPE (Apasipe), Roberto Boscardin.
Boscardin disse que o instituto está diminuindo a sua capacidade de atendimento aos usuários. A instituição, prossegue o presidente da Apasipe, tem dívidas com seus fornecedores, que são pagas com 12 meses de atrasos. Em função disso, alguns serviços já foram cortadas. ‘‘Mas o governo tem se mostrado interessado em salvar o IPE. No entanto, a proposta de terceirização, discutida pelo governo estadual, não é a ideal’’, afirmou. A Folha tentou encontrar Rubens Drumond, superintendente do IPE para comentar o assunto, mas não o encontrou.
Na avaliação de Boscardin, os servidores estaduais não terão como pagar os custos de um plano privado de saúde. Ele informou que 70% dos servidores recebem até seis salários mínimos. ‘‘E as empresas privadas deverão reajustar as mensalidades conforme a sua necessidade, o que pode inviabilizar o acesso a quem recebe pouco’’, criticou.
A proposta defendida pelas entidades sindicais é que o IPE seja gerenciado em conjunto pelo governo e os servidores. Cada um arcaria com uma parte dos custos. ‘‘A vantagem é que já existe uma estrutura grande do instituto, que poderá ser usada. O IPE tem ambulatórios próprios em Curitiba e em Londrina, que até hoje garante uma média de 20 mil consultas/mês.
A comissão pretende apresentar estes argumentos ao governo estadual. Participam da comissão representantes das principais entidades de servidores da capital e interior, como APP-Sindicato, SindiSeab, Associação de Engenheiros do DER, SindiSaúde, das Universidades de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e da Unioeste.

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