Endividados, com o salário deste mês atrasado e o crédito cortado em supermercados, lojas e farmácias, os servidores municipais de Foz do Iguaçu ameaçam iniciar hoje uma greve de advertência. O prefeito Dobrandino da Silva (PMDB) diz que os inadimplentes devem R$ 49 milhões à prefeitura e não sabe se terá dinheiro para pagar o 13º salário.
‘‘Se amanhã (hoje) não recebermos o salário, vamos iniciar uma paralisação por tempo indeterminado’’, adverte o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Luís Carlos Silva de Oliveira. Em novembro, os quase 4 mil funcionários públicos só receberam no dia 14 e os 250 guardas municipais, no dia 22. Já os de cargos comissionados só foram pagos no dia 27.
Supermercados, farmácias e muitas lojas do comércio já não aceitam mais os tíquetes da Associação Municipal dos Servidores Públicos (Asserpi). Sem crédito e sem previsão de receber o 13º, os funcionários públicos decidem hoje se fazem greve por tempo indeterminado. ‘‘Chegamos a uma situação insuportável’’, diz Luís Carlos.
O sindicalista diz que todo mês é descontado no contra-cheque dos servidores 7% para aposentadoria e assistência de saúde. Parte desse valor entra como receita tributária nos cofres da prefeitura e não é repassado ao INSS. A parcela que cobriria os convênios médicos, também. Os hospitais Costa Cavalcanti e Santa Casa Monsenhor Guilherme já não atendem mais através do convênio por falta de pagamento.
Dobrandino viveu uma situação parecida no ano passado. Para contornar a crise, em dezembro de 95, ele extinguiu o Fundo de Aposentadorias e Pensões (Fapen) e usou aproximadamente R$ 3,9 milhões para pagar os salários atrasados e o 13º.
O Fapen foi criado pelo próprio prefeito em outubro de 1993, mas a prefeitura nunca recolheu sua parte dos benefícios. Hoje o Fapen está com um rombo de aproximadamente R$ 20 milhões e os servidores cobram na Justiça a devolução do dinheiro.

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