Os servidores públicos municipais de Curitiba devem entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 15 de abril. A decisão foi tomada ontem em assembléia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc) e do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). Durante a tarde, representantes dos sindicatos se reuniram com o secretário municipal de Recursos Humanos, Paulo Schmidt, mas não houve acordo.
"Vamos lutar pelas perdas históricas que a categoria acumula", explicou a presidente do Sismuc, Irene Rodrigues. Depois do fim do encontro, os servidores seguiram em passeata até a Câmara Municipal onde acompanharam a discussão e votação da mensagem do prefeito que determina reajuste de 6,5% para os funcionários da administração municipal. A prefeitura informou através de sua assessoria que se comprometeu com os sindicatos a garantir o reajuste de 6,5% já no salário de abril e a reavaliar a possibilidade de reposição salarial para a categoria a partir de julho. Segundo a administração só então será possível avaliar o impacto que a crise econômica teve sobre a arrecadação do município.
Ontem, cerca de 70% dos servidores pararam os trabalhos, segundo o Sismuc e o Sismmac. O funcionários cumpriram a promessa de paralisação caso as negociações com a prefeitura para o aumento dos salários não avançassem. Os manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade e caminharam pelo Centro até o prédio da prefeitura. Durante o trajeto, trânsito ficou interditado e lento em muitas ruas.
O Sismmac divulgou que entre 70 e 80 escolas do ensino municipal tiveram as aulas suspensas. De acordo com a prefeitura, o atendimento nas escolas e creches foi normal ontem, tanto no período da manhã quanto da tarde. Das 338 unidades de ensino municipal, em 39 não houve aula. E 16 unidades de saúde funcionaram parcialmente. Já as 164 creches funcionaram normalmente.

Reivindicações

Os funcionários municipais querem um aumento de 39,53%. A prefeitura propôs um reajuste de 6,5% -desse total, 6,25% estão previstos em lei e diz respeito a data base relativa à reposição da inflação do último período; os outros 0,25% seriam de aumento real. O argumento dos dois sindicatos é de que o valor não chega aos 14,65% de perdas salariais do funcionalismo público. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação dos últimos doze meses foi de 6,25%. Além da reposição da inflação, os sindicatos reivindicam reposição das perdas e aumento real.
A presidente do Sismuc, Irene Rodigues, disse que uma parada definitiva dos servidores dependeria da reunião com membros da prefeitura. Irene reconheceu que o rejuste de quase 40% está longe da realidade, por isso o sindicato está aberto a negociação. "Nós entendemos que talvez 39% não seja possível, mas 0,25% é aumento pífio", afirmou. Simeri Calixto, do Sismmac, tem a mesma opinião. "O que queremos negociar, a princípio, são as perdas históricas e, a partir disso, estabelecer uma política de aumento real", informou.
A Prefeitura de Curitiba já havia informado que, após o processo de negociação da data-base do funcionalismo, o reajuste salarial de 6,5% vai ser pago em uma só parcela, a partir de abril. De acordo com a administração, o reajuste atinge os 35 mil servidores ativos e inativos.
Os servidores pediram a presença do prefeito Beto Richa durante a reunião. Richa, no entanto, está em Washington (EUA), participando da Semana de Energia 2009. O evento do Banco Mundial visa discutir temas como energia, desenvolvimento e mudanças climáticas. Além do evento, Richa se encontra os gerentes do setor de energia e urbanismo da América Latina e Caribe do Banco Mundial e se reúne com a diretoria do BID, para tratar de financiamentos para obras em Curitiba.

mockup