A Prefeitura creditou ontem, na conta de cada um dos 6.640 servidores municipais, R$ 550,00 relativos aos salários de junho. Para 45% dos funcionários que têm salários mais altos, este valor representa apenas a primeira parcela do pagamento mensal. A parcela com o valor restante, nenhum servidor sabe ao certo quando receberá.
A folha de pagamento líquida da Prefeitura é de aproximadamente R$ 5,5 milhões mensais. Para o depósito das parcelas foram usados cerca de R$ 3,6 milhões, dos R$ 4 milhões que a Prefeitura tinha disponíveis em caixa até a última sexta-feira. É dinheiro arrecadado com a cobrança de impostos e taxas municipais durante este mês.
Segundo informações obtidas pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) na Secretaria de Fazenda, a Prefeitura está negociando um empréstimo bancário de R$ 2 milhões para a complementação do pagamento dos salários, o que deve ocorrer nos próximos dias. O secretário de Fazenda, Luiz César Guedes, passou o dia de ontem em Curitiba, em busca de recursos, e não foi localizado pela reportagem da Folha.
Ontem à noite, o Sindserv realizou assembléia no auditório da Supercreche (na área central da Cidade) para aprovar encaminhamentos e formas de pressão ao prefeito Antônio Belinati (PDT), para que o restante dos salários seja pago o mais rápido possível. Menos de 30 servidores participaram da assembléia. ‘‘A chuva e o frio, além do fato de os servidores com salários mais baixos já terem recebido integralmente, atrapalharam a vinda dos funcionários’’, explicou o presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima.
Ele se disse preocupado com os constantes atrasos e parcelamentos nos salários dos servidores municipais, que se tornaram rotina em Londrina nos últimos meses. ‘‘Infelizmente, a arrecadação municipal tem diminuido mês a mês; e não há boas perspectivas para o futuro, até porque a Prefeitura já esgotou a sua capacidade de endividamento através da Antecipação de Receitas Orçamentárias (ARO)’’, comentou o presidente do Sindserv.
Gláudio de Lima afirmou que o limite de empréstimos de Londrina com a utilização de AROs - de acordo com normas do Banco Central - está em torno de R$ 13 milhões por ano e já foi utilizado totalmente pela atual Administração. ‘‘Falam que o Guedes está tentando novo empréstimo junto ao Banestado, mas isso é ilusório. Através de AROs, a Prefeitura não tem mais garantias para oferecer ao banco’’, ressaltou.
De acordo com o presidente do Sindserv, a Prefeitura já paga mensalmente cerca de R$ 1,4 milhão relativo ao parcelamento e juros dos empréstimos obtidos neste ano para a complementação das folhas salariais. ‘‘Infelizmente, a administração não tem muitas saídas, a não ser investir pesado no aumento da arrecadação e no corte dos gastos’’, comentou Gláudio de Lima. ‘‘Se uma nova alternativa não for encontrada para resolver esta situação, os servidores prosseguirão convivendo com os atrasos e parcelamentos indefinidamente.’’
Durante a assembléia - que aprovou a divulgação do parcelamento à população nos próximos dias através de faixas, cartazes, panfletos e carta-aberta -, diretores do Sindserv informaram que a Prefeitura teria, inclusive, baixado de R$ 500 mil para R$ 400 mil mensais o repasse de verbas à Câmara Municipal, nos últimos três meses.
(Osmani Costa)

mockup