Curitiba - A greve das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste) – que já dura 157 dias – vai continuar. Assembléia de professores e funcionários, realizada no final da tarde em Curitiba, decidiu não acatar a proposta de projeto de lei do governador Jaime Lerner (PFL), apresentada à Assembléia Legislativa na tarde de segunda-feira. Em contrapartida, a categoria fez uma passeata, ontem, do centro de Curitiba até a Assembléia, onde apresentou outro projeto de lei ao presidente da Casa, o deputado Hermas Brandão (PSDB).
O ato teve o apoio de representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), da Federação dos Servidores Técnicos Administrativos das Universidades Brasileiras (Fasubra) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
O projeto do governo estabelece repasse de 9% da parcela do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que cabe ao governo para as universidades. Para este ano, os recursos destinados ao ensino superior somam R$ 352 milhões, o que representa 8,63% da arrecadação do ICMS. Em 2001, segundo o governo, foram repassados R$ 304 milhões, ou o correspondente a 8,26% do imposto.
Já o projeto do funcionalismo prevê um complemento de R$ 90 milhões para este ano, ou seja, cerca de R$ 40 milhões a mais do que propõe o governo. ‘‘Só assim daria para garantir a reposição salarial de 30%, conforme foi acordado com o secretário Ramiro’’, disse Graça Bollmann, vice-presidente da Regional Sul do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes/sul). Segundo ela, em reunião no dia 16 de janeiro o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, comprometeu-se com este reajuste, mas acabou recuando.
‘‘O problema é que o governo não está se sensibilizando com uma greve que já dura cinco meses. Nós partimos de uma reivindicação de R$ 500 milhões para as universidades para garantir reajuste de 50,3%. Com o impasse, o comando apresentou uma alternativa baixando a reivindicação para R$ 90 milhões com reajuste de 30%’’, disse Graça Bollmann.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Funcionários da UEL, Marcelo Seabra, o repasse anunciado pelo governador não significa um aumento nas verbas em relação a 2001. ‘‘9% da parte do ICMS (75%) que fica com o governo vai significar só 6,8% do total e não 8,63%. Quer dizer, não muda nada’’, afirmou. (Colaborou Andréa Lombardo).

mockup