Os servidores municipais de Foz do Iguaçu ocuparam novamente ontem o prédio da prefeitura para reivindicar o pagamento dos salários de novembro e o 13º salário. Ontem à tarde, eles prometiam passar a noite nas dependências da prefeitura e só sair quando os pagamentos atrasados fossem efetuados.
Semana passada os servidores também invadiram a prefeitura e fizeram manifestações de protestos por causa do não-pagamento dos salários. Eles só deixaram o local depois que a administração municipal garantiu que a situação seria regularizada no dia 14, o que acabou não acontecendo.
No acordo feito na semana passada entre a prefeitura e o sindicato da categoria ficou acertado que no dia 15, anteontem, o 13º salário seria pago integralmente e os salários de novembro seriam divididos em duas parcelas, sendo que a primeira seria paga no dia 23 e a segunda no dia 30 de dezembro.
O prefeito Harry Daijó (PPB), que estava ontem em Curitiba, disse por telefone à Folha que hoje será efetuado o pagamento do 13º salário. ‘‘Já assinei a liberação e amanhã (hoje) o pagamento será feito’’. Daijó disse que estava em Curitiba porque teria uma audiência com o governador Jaime Lerner (PFL) para tratar da reforma administrativa da prefeitura e prosseguimento de obras. A Folha foi informada através do porta-voz do Palácio Iguaçu, Hudson José, de que o governador não tinha nenhum compromisso agendado com o prefeito de Foz.
Sobre o salário de novembro, Daijó disse que aguarda o repasse de recursos provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ‘‘Tivemos uma queda na arrecadação e tivemos cortes de repasses do governos. Além disso, o pagamento do IPTU não foi como esperávamos. Só temos condições de regularizar a situação se esses repasses foram feitos’’, disse.
Segundo a secretária-geral do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz (Sismufi), Cacilda Tavares, ontem os servidores públicos tiveram que assinar um termo de adesão com o Banestado para que o banco liberasse um empréstimo no valor de R$ 4 milhões. O empréstimo será usado para o pagamento do 13º salário dos servidores. ‘‘A prefeitura não tem crédito junto ao banco. Por isso, tivemos que fazer esse empréstimo. A situação é tão desesperadora que estamos emprestando dinheiro para pagar os nossos próprios salários’’.
Apenas três dos 19 postos de saúde funcionaram por causa do protesto. A prefeitura tem 4,5 mil servidores. Em janeiro, Daijó vai promover uma reforma administrativa que irá resultar na demissão de 450 funcionários.
Na tarde de ontem começavam a chegar na prefeitura as barracas que seriam utilizadas pelos servidores para passar a noite. O prefeito disse à Folha que ‘‘na prefeitura não é lugar de dormir’’ e que se acaso os servidores tentassem passar a noite no local, iria pedir a intervenção da polícia

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