Giovani Ferreira
De Curitiba
A mudança no sistema de atendimento à saúde, com o processo de extinção do Instituto de Previdência Social do Estado (IPE) e a criação da Paranaprevidência, está causando revolta entre os cerca de 200 mil servidores estaduais. Eles reclamam da falta de estrutura no setor de assistência médica, denunciando a falta de hospitais, médicos e laboratórios que prestem atendimento aos funcionários vinculados à estrutura previdenciária do Estado.
Diante da precariedade do sistema, apesar de estarem contribuindo com o Paranaprevidência, os servidores que precisam de um médico estão sendo obrigados a recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Romeu Gomes de Miranda, presidente da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), ‘‘hoje o funcionário não tem atendimento pela estrutura antiga, que foi extinta, e nem pela nova, que ainda não foi implantada.’’
Romeu explica que os hospitais estão cancelando de maneira gradativa o atendimento aos servidores. Ele diz que a situação vem se agravando desde janeiro, com a aprovação do projeto da Paranaprevidência. Desde então, conforme a APP-Sindicato, o Estado teria deixado de repassar aos órgãos credenciados ao antigo IPE, os valores referentes aos atendimentos prestados.
Sem receber pelos serviços, os hospitais, clínicas e laboratórios começaram a enfrentar problemas financeiros, sendo obrigados a limitar o tratamento ou a suspender o convênio com os servidores. Segundo Romeu Miranda, todos os hospitais do Estado reduziram o tratamento, enquanto que uma grande parte suspendeu por completo o atendimento. O tratamento odontológico também foi extinto. A mesma medida atingiu, há cinco anos, a Farmácia do IPE que oferecia aos servidores medicamentos com preços menores do que os praticados pelo mercado.
Prejudicados - A situação torna-se ainda mais grave nos municípios do interior, onde em alguns casos a estrutura do IPE foi totalmente extinta. Em Curitiba e em algumas cidades pólos, como Ponta Grossa, Londrina, Cascavel e Maringá, mesmo que de maneira precária, as pessoas ainda conseguem atendimento ambulatorial em alguns hospitais. Já nos pequenos municípios os servidores ficam muitas vezes sem assistência médica.
Na avaliação do presidente da APP-Sindicato, o governo precisa agir rápido, pois a inviabilização do sistema Paranaprevidência pode causar prejuízos irreparáveis à saúde do servidor. Afirmando que em termos de assistência médica a Paranaprevidência está frustrando o contribuinte, Romeu diz também que o governo ‘‘está brincando com nossas vidas’’.
Uma das sugestões da APP-Sindicato, no sentido de amenizar a situação, é o cumprimento da legislação em vigor com o repasse de 2% do total da folha de pagamento para o setor de saúde. A Lei Estadual 10.219, de 1992, determina que o governo invista este percentual na promoção da saúde do servidor. Romeu entende que isso não é o ideal e nem mesmo o suficiente para resolver o problema, mas acredita que no momento é o que pode ser feito para tentar melhorar o quadro atual de precariedade na assistência.

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