Giovani Ferreira
De Curitiba
A partir de amanhã todos os hospitais, clínicas e laboratórios conveniados estarão suspendendo o atendimento aos servidores estaduais através do Instituto de Previdência do Estado (Ipe). A interrupção acontece nos poucos estabelecimentos que ainda atendem pelo Ipe, uma vez que a maioria dos 300 prestadores de serviço já vinha cancelando ou limitando o atendimento desde o início do ano.
A decisão de suspender o atendimento a partir do dia 1º de agosto, vem sendo discutida há pelo menos dois meses entre os representantes dos hospitais conveniados e a Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar). A medida atinge mais de 450 mil paranaenses, sendo 220 mil servidores, entre ativos e inativos, e aproximadamente 230 mil dependentes.
De acordo com informações da Fehospar, os hospitais não vão deixar de atender os servidores estaduais. O que está sendo cancelado é apenas o atendimento através do Ipe. No entanto, para ser atendido, o servidor terá que pagar pela consulta ou qualquer outro procedimento hospitalar. Os hospitais estarão utilizando a mesma tabela do Ipe, mas ao invés de faturar para o Estado, vão cobrar diretamente do paciente.
As pessoas que optarem pelo pagamento, têm direito a uma nota fiscal ou um recibo do estabelecimento onde foram atendidas. Do ponto de vista legal, os servidores poderão cobrar essas notas do Ipe, que toricamente terá que ressarcir o conveniado das depesas que ele pagou, mas que deveriam ter sido custeadas pelo instituto.
A assessoria da Fehospar informou que a interrupção do atendimento não é uma imposição, mas sim uma recomendação aos hospitais. Um ou outro hospital pode até continuar atendendo normalmente pelo Ipe, sem nenhuma espécie de punição. Outro ponto importante colocado pela Federação, é que os hospitais não vão deixar de atender os casos de urgência e emergência. Os atendimentos serão negados através do Ipe somente para procedimentos eletivos, que podem ser feitos mais tarde sem nunhum risco ao paciente.
A decisão dos hospitais é uma retaliação ao posicionamento do governo, que ao longo dos últimos sete meses não abriu nenhum canal de negociação para tentar solucionar o problema. A Fehospar tentou, por várias vezes, dialogar com o governo, mas nunca teve nenhuma resposta aos seus apelos. Hoje os hospitais não têm nenhuma expectativa sobre a quitação das dívidas pelo governo do Estado.
Conforme dados da Fehospar, a dívida do Ipe com os hospitais já chega a R$ 35 milhões. Os hospitais não recebem pelos atendimentos feitos aos conveniados do Ipe desde dezembro do ano passado. A situação está dificultando a vida dos hospitais, que não estão conseguindo honrar as dívidas com seus fornecedores, que por sua vez também acabam cancelando o atendimento.
A assessoria do Palácio Iguaçu informou ontem que na segunda-feira a Secretaria de Estado da Fazenda estará depositando R$ 3,3 milhões na conta do Ipe. Esse valor será destinado ao pagamento do mês de dezembro para os hospitais da capital, janeiro dos hospitais do interior e ainda deve dar para quitar parte da dívida com os laboratórios de todo o Estado.

mockup