Servidores fazem protesto em prefeitura
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Paulo Pegoraro 
Servidores municipais de Cascavel e Toledo iniciaram ontem mais uma, e possivelmente última, tentativa de receber o salário antes do encerramento do mandato dos atuais prefeitos. Já tem gente sem comida em casa e a fome está batendo, disse o vice-presidente do Sindicato dos Professores de Toledo, Camilo Vanzetto, enquanto uma comissão do sindicato e dos Servidores tenta em Curitiba intermediar o repasse de recursos emergenciais do Estado ao Município. Em Cascavel, servidores realizaram manifestação ontem à tarde na prefeitura, e anunciaram que podem decidir hoje greve geral.
A Prefeitura de Cascavel está pagando em dia apenas servidores que recebem menos de R$ 500,00. Na segunda-feira foram liberados os 50% que faltavam da folha de setembro dos que recebem entre R$ 500,00 e R$ 1 mil, mas falta outubro e novembro, e desde setembro nada foi pago aos de salário maior. O vale-transporte de novembro foi liberado apenas no dia 15, embora tenha descontado integralmente os 6% de lei da parte dos funcionários. O pessoal não tem como ir ao trabalho, observou a presidenta do Sindicato dos Servidores, Denise Lopes Cordeiro.
Segundo a presidente, a Prefeitura também não tem repassado à Associação dos Servidores o que retém dos salários para vale-mercado e convênios médicos - a entidade é quem deve fazer os pagamentos aos fornecedores e conveniados. Tememos chegar ao final do ano sem uma solução, disse. Segundo Denise Lopes Cordeiro, a folha salarial não vai muito além de 35% do que o Município arrecada, portanto não há justificativas para o que está acontecendo.
O desconto do vale-transporte (cerca de 135 mil, mensalmente) não fornecido poderia ser caracterizado como grave irregularidade, por se tratar de benefício de lei federal. Procurado pela Folha, o secretário da Administração Antonio Marcon disse que à tarde começariam a ser repostos os vales de novembro, o que não ocorreu naquele mês simplesmente porque não havia recursos para a parte que cabe ao Município. Quanto aos salários, de R$ 1,45 mil mensais, disse que a expectativa é de que o governo do Estado antecipe o repasse do ICMs previsto para o início de janeiro.
A reivindicação foi formalizada na semana passada pela Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, presidida pelo prefeito de Cascavel, Fidelcino Tolentino (PMDB). Os servidores dizem ter informação de que o Estado não fará a antecipação, por isso há poucas esperanças de receber os atrasados e o 13º. A prefeitura emprega 3,8 mil pessoas (diretos ou terceirizados).


