Servidores estaduais protestam no Palácio Iguaçu e na Boca Maldita
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de junho de 1997
De Curitiba 
Marcelo AlmeidaMissaProtesto de servidores em frente ao Palácio Iguaçu reuniu cerca de 50 diretores do Sindicato dos Servidores Públicos, que simularam uma missa pelo 15º dia de falecimento do governador Jaime Lerner, enterrado simbolicamente por eles há 15 diasServidores estaduais e municipais fizeram protestos ontem à tarde em frente ao Palácio Iguaçu e na Boca Maldita, para marcar o Dia Nacional de Luta contra as Reformas Administrativa e da Previdência e contra a Corrupção. Os servidores do Estado aproveitaram a data para lembrar mais uma vez que estão há 20 meses sem reajuste salarial. A categoria ameaça com uma greve geral para pressionar o governo.
O protesto em frente ao Palácio Iguaçu reuniu cerca de 50 diretores do Sindicato dos Servidores Públicos, que há 15 dias promoveram um enterro simbólico do governador Jaime Lerner. Ontem, eles simularam uma missa pelo 15º dia de falecimento.
O presidente do sindicato, Vladimir de França, disse que as negociações com o governo não evoluíram. Enviamos a pauta de reivindicações há 15 dias e até agora não houve qualquer resposta, afirmou. Segundo ele, a perda salarial dos 37 mil servidores do quadro geral do Estado já é de 65% neste governo. Caso o governo não anuncie reajuste este mês, vamos propor uma greve geral de 24 horas, disse França.
Depois do protesto em frente ao Palácio, os servidores estaduais foram até a Boca Maldita, para uma manifestação organizada por entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Os manifestantes distribuíram uma carta aberta à população, na qual criticam a reforma administrativa, afirmando que ela acabará com os serviços públicos.
Também foi montado um painel indicando a posição de cada deputado federal paranaense na emenda da reeleição. As pessoas que passaram pela Boca foram convidadas a assinar uma lista pedindo a criação de uma CPI para apurar as denúncias de compra de votos pró-reeleição.
Os servidores estaduais montaram painéis com cópias de contracheques. O Sindicato dos Servidores da Saúde e Previdência chamou a atenção distribuindo pirulitos para as pessoas que passavam acompanhadas de crianças. Junto, um panfleto alertando para a crise no setor de saúde, com a falta de vacinas em alguns estados e o sucateamento dos serviços públicos. Segundo o Sindisaúde, o governo Lerner investe apenas 2,8% dos recursos do orçamento na saúde.


