Servidores estaduais fazem vigília de 24h
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quinta-feira, 08 de maio de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Gilson CamargoDia e noiteManifestantes diante do Palácio Iguaçu, ontem de manhã, no início do protesto que termina hoje: objetivo de sensibilizar o governoUm grupo de 300 servidores estaduais de nível médio termina agora pela manhã uma vigília de 24 horas, em frente ao Palácio Iguaçu. Eles esperam ter sensibilizado o governo com o protesto contra os 20 meses sem reposição salarial. Uma das integrantes da direção do Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Estaduais, Elizabeth Mateus da Silva informou que não está descartada a possibilidade de uma greve.
Mais de metade dos 130 mil servidores estaduais de nível médio recebe salários que variam entre R$ 141,00 e R$ 467,00, segundo informou o fórum. Há uma revolta geral no Estado, disse Elizabeth.
Na pauta de reivindicações do movimento estão a reposição salarial de 80% (concedida aos servidores de nível universitário), pagamento corrigido dos precatórios judiciais, ampliação e instituição dos auxílios transporte, alimentação e creche.
Os servidores reivindicam ainda a melhoria das condições de trabalho e a não proliferação das consultorias externas, cargos comissionados e contratos temporários.
A funcionária pública Geni de Lima Franco, 36 anos, moradora no município de Pato Branco, veio a Curitiba especialmente para participar da movimentação. Ela trabalha como secretária numa escola estadual, tem dois filhos e recebe um salário de R$ 224,00.
Eu pago R$ 150,00 de aluguel. Se um dos meus filhos não trabalhasse fora, não teríamos como sobreviver, afirmou. Ela disse que não se importaria em passar a noite no acampamento montado no Centro Cívico. Nossos salários são absurdos. Têm gente que trabalha comigo e ganha R$ 140,00, explicou.
No início desta semana, o fórum encaminhou uma carta ao governador Jaime Lerner, pedindo a igualdade de tratamento para as diversas categorias do funcionalismo público estadual.
O texto, assinado pela direção do fórum, diz que no Paraná, todos sabem que há segmentos mais privilegiados que outros, como fiscais, carreiras jurídicas, juízes, cargos comissionados.
Os servidores estaduais de nível médio acusam o atual governo por falta de política salarial e lembra que os policiais, fiscais e professores tiveram reajustes em 96.
No início da tarde de ontem, uma comissão formada por servidores foi recebida pelo deputado estadual Valdir Rossoni (PDT), líder do governo na Assembléia Legislativa, que se comprometeu a agendar uma audiência entre servidores e governo, na próxima semana, para iniciar as negociações.
O secretário da Administração, Reinhold Stephanes Jr., informou que a reposição salarial da categoria está sendo estudada, mas ainda não há nada definido.


