Servidores encerram vigília
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quarta-feira, 01 de janeiro de 1997
Gerson da Luz Souza <br>Especial para a Folha 
CASCAVEL - Os servidores municipais de Cascavel encerraram ontem à noite a vigília montada dentro da prefeitura, em protesto contra o atraso no pagamento dos salários. A manifestação durou quinze dias, mantendo-se irredutível mesmo após o recesso decretado pelo prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB) e a proibição de entrada de novos manifestantes ao prédio da prefeitura - sem rodízio -, o que obrigou os servidores que estavam do lado de dentro a permanecerem 48 horas no prédio. Depois disso, Tolentino afrouxou a ordem e os manifestantes voltaram ao sistema de rodízio.
O fim da vigília coincide com o fim do mandato de Tolentino, que passa o cargo hoje à tarde ao prefeito eleito Salazar Barreiros (PPB). Servidores da saúde, que estavam em greve desde o início de dezembro, também devem retornar ao trabalho. É um voto de credibilidade que estamos dando ao novo prefeito, afirma o presidente do Sindicato dos Professores Profissionais de Cascavel, Claudionor Pereira de Souza.
Salazar manteve contato ontem com dirigentes da classe dos servidores. Ele garantiu que vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para regularizar o pagamento dos salários. Os funcionários que têm salário inferior a R$ 500,00 não receberam o pagamento de novembro, dezembro e o 13º salário. Os que têm salário superior a R$ 500,00 não recebem desde outubro. O novo prefeito está dando sinal de que poderá fazer empréstimo junto ao Banestado e ainda direcionar toda a receita de janeiro para o pagamento do funcionalismo. A dívida total com os 3,2 mil servidores já chega a R$ 1,4 milhão.
Os servidores estão muito revoltados com Tolentino. Segundo Claudionor de Souza, um dos últimos atos do prefeito foi pagar os salários dos secretários e demais ocupantes de cargos em comissão, anteontem à noite. Mais uma vez o prefeito decepciona, deixando os servidores para trás, lamenta.
Os secretários estavam com os salários atrasados desde setembro e segundo informações receberam todo o valor, parte em dinheiro e parte em cheques pré-datados. A Folha tentou contato com o secretário de Finanças Dirceu Padilha para confirmar a informação, mas os ramais telefônicos de seu gabinete e salas de assessores não atenderam aos chamados.


