Servidores do prédio param 2ª feira
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sábado, 21 de dezembro de 1996
Lucília Okamura 
O prédio da Prefeitura, na avenida Duque de Caxias (zona sul), deverá estar fechado a partir de segunda-feira. Reunidos em assembléia ontem, ao meio-dia, no salão nobre da Prefeitura, os servidores municipais que trabalham no prédio decidiram cruzar os braços por dez dias, a partir de segunda-feira, em protesto contra o atraso do 13º salário, que deveria ter sido pago ontem.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Gláudio Renato de Lima, explica que dos seis mil servidores das administrações direta e indireta, 1.500 trabalham no prédio. Para evitar que eles sejam pressionados pelas chefias a entrarem no prédio para trabalhar, a diretoria do Sindserv estará no local às 7 horas.
Após concentração em frente ao prédio, os funcionários deverão fazer uma passeata até o centro da Cidade e distribuir cartas aos comerciantes. Vamos pedir a compreensão dos comerciantes para que não compliquem a situação dos servidores que deram cheques pré-datados, explica. Gláudio de Lima revela que pretende ainda conversar com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros, com o mesmo objetivo.
Ontem, às 18 horas, cerca de 100 servidores dos setores de saúde, marcenaria e oficina se reuniram no auditório do Museu Histórico Padre Carlos Weiss (área central), para decidir se também paralisariam suas atividades. Devido à pouca representatividade dos postos de saúde (dos 40 postos, haviam funcionários de cerca de 10), os servidores decidiram se realizar outra assembléia na segunda-feira, às 9 horas, em frente ao prédio da Prefeitura.
A folha de pagamento do funcionalismo é de aproximadamente R$ 4,6 milhões. Em entrevista à Folha, anteontem, o chefe de gabinete da Prefeitura, Agnaldo Kupper, disse que a partir de, no máximo, segunda-feira, a Prefeitura começa a efetuar o pagamento de parte do 13º salário.
Os 95 funcionários da Câmara de Vereadores também não receberam seus salários. O repasse de R$ 436 mil, referentes ao salário deste mês e à rescisão de contrato dos funcionários comissionados, deveria ter sido feito ontem. O presidente da Câmara, o vereador Célio Guergoletto, diz que não há perspectivas de quando acontecerá o repasse. Segundo ele, a média salarial do funcionalismo da Câmara é de R$ 780,00.
Célio Guergoletto criticou a decisão dos servidores de fechar a Prefeitura, alegando que a administração estará impedida de receber os tributos dos contribuintes. Gláudio de Lima contesta, afirmando que a arrecadação não será prejudicada com a greve. O presidente do Sindserv afirma: O contribuinte que quiser pode ir até qualquer agência do Banestado, não precisa necessariamente pagar na Prefeitura.


