Servidores do HU mantêm greve
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Pelo menos por enquanto, a esperada trégua na paralisação do funcionalismo do Hospital Universitário (HU) não aconteceu. Ontem à tarde, numa assembléia marcada por desentendimentos, os servidores votaram pela manutenção da greve. A decisão atinge também o Hospital de Clínicas (HC) e o Pronto Atendimento (PPA) do HU, que continuarão fechados ao público. A greve nas universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste) é a mais longa da história brasileira e completa hoje 145 dias.
Eles decidiram que irão assinar a folha-ponto, mas vão retornar à escala de revezamento no HU, atendendo somente a pacientes em estado grave, com risco de vida e os que chegam via Siate.
Em assembléia na quarta-feira, os grevistas do HU haviam aprovado um indicativo de suspensão da greve até 4 de março. Ontem, entretanto, não referendaram a posição e decidiram, por uma diferença pequena, continuar a paralisação. A intenção é que a percentagem de servidores em serviço volte à casa dos 50%, como acontecia até a determinação da Justiça de reabrir os portões do hospital, em meados de janeiro.
O encontro de ontem foi marcado por desentendimentos e posições contrárias entre os servidores. Muitos eram favoráveis à suspensão, apontando que a paralisação já não existia de fato. Segundo o próprio Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Londrina (SinSaúde), 90% dos servidores haviam retornado ao trabalho até ontem. Destes, 95% assinaram a folha-ponto. Outros tantos eram contra o fim da greve, uma vez que não conseguiram acertar nenhuma proposta concreta com o governo do Estado.
A presidente do SinSaúde, Ana Maria da Cruz, garantiu que cada setor do HU irá avaliar o número de funcionários necessários para continuar prestando atendimento aos pacientes já internados. Ela informou ainda que serão feitos arrastões diários, pela manhã e à tarde, para verificar se os funcionários estão realmente cumprindo a decisão da assembléia. Uma nova discussão foi agendada para o dia 14 de fevereiro. Ana Maria alertou a população para que não procure atendimento no hospital.
Os servidores da UEL fazem nova assembléia hoje pela manhã. Logo após, os funcionários seguem para protestar em frente ao gabinete do reitor Pedro Gordan. O tema do dia será Carnaval na reitoria.
O diretor-superintendente do HU/HC, Cláudio Camacho, adiantou que irá avaliar a situação junto à assessoria jurídica do hospital e a reitoria da UEL, para só depois decidir o que fazer. Segundo Camacho, a taxa de ocupação até as 16 horas de ontem estava em 65%, com 212 leitos ocupados - 188 pacientes nos quartos e enfermarias e 24 no pronto-socorro.
Ontem, em Cascavel, servidores reunidos em assembléia deliberaram pela manutenção da greve.


