Em uma rápida assembléia, realizada ontem de manhã, em frente à Prefeitura, na avenida Duque de Caxias (zona sul), os servidores municipais que trabalham no prédio administrativo e no setor de saúde decidiram manter a greve que iniciaram na segunda-feira. Ontem, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), o movimento ganhou a adesão dos funcionários que trabalham na marcenaria, oficina e Secretaria de Obras. O Sindicato acredita que metade dos seis mil funcionários da Prefeitura estão em greve.
Os servidores estão de braços cruzados em protesto contra o não pagamento integral do 13º salário e pela falta de perspectiva de receber o salário de dezembro - pago no último dia útil do mês. Os seis mil funcionários da prefeitura receberam, na semana passada, uma parcela do 13º - R$ 200,00 cada um.
O prédio administrativo estava praticamente vazio na manhã de ontem, mas o movimento em frente era intenso. Centenas de servidores fizeram fila para pegar a cesta básica (tíquetes para fazer compras em supermercados). Os tíquetes foram distribuídos nos dia 23 e 24, mas apenas metade dos servidores que têm direito ao benefício pegaram a cesta básica naqueles dias. Cerca de 85% dos servidores são beneficiados com a cesta.
O presidente do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, diz que os servidores optaram por continuar a greve porque a administração não manteve contato para tentar resolver o problema. Ele acredita que a expectativa de pagamento ainda nesta administração é vaga, e que o prefeito eleito Antônio Belinati terá grandes dificuldades parta saldar a dívida. ‘‘Antes do dia 10 de janeiro é pouco provável que saia o pagamento.’’
Com relação ao setor de saúde, Gláudio de Lima afirma que apenas oito ou dez dos 35 postos de saúde da zona urbana estão funcionando. A Autarquia Municipal de Saúde (AMS) contesta esses dados e garante que 20 postos da zona urbana e 20 da zona rural estão abertos. Durante a assembléia de ontem de manhã ficou decidido também a realização de uma manifestação contra o prefeito Luiz Eduardo Cheida no próximo dia 31, às 10 horas, na prefeitura.
O prefeito Luiz Eduardo Cheida reafirmou ontem que a greve é ‘‘inoportuna e incoveniente em todos os sentidos’’. Na sua opinião, a população é prejudicada por ficar sem alguns serviços de saúde e os funcionários também não se beneficiam com a greve, que atrapalha a arrecadação da Prefeitura. ‘‘Muita gente tem ido pagar na Prefeitura e encontra as portas fechadas.’’
Cheida explica que alguns débitos podem ser pagos no Banestado, mas os contribuintes inadimplentes que já estão sendo cobrados judicialmente só podem negociar suas dívidas na Prefeitura. ‘‘Para retirar a ação da Justiça, a pessoa tem que ir fazer um acordo com a administração.’’
Segundo o prefeito, a administração municipal deixou de arrecadar ‘‘muito dinheiro’’ nos últimos dias, suficiente para saldar o restante do 13º salário. ‘‘Não há justificativas para a greve’’, garante. Luiz Eduardo Cheida diz não ter perspectivas de quando sairá o restante do pagamento.

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