Servidores de UBS recebem capacitação
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - A equipe de 40 profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina) passou por uma capacitação na tarde de ontem para aprender a reconhecer indícios de violência contra a mulher. O foco do programa são as pacientes que não têm coragem de denunciar os parceiros. Atualmente, os dados estatísticos da saúde sobre a violência doméstica ainda são incipientes.
Segundo a assistente social da prefeitura, Sueli Galhardi, não há nada mais ultrapassado que o ditado "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Ela ressalta que a portaria 104 de janeiro de 2011, do Ministério da Saúde, determina a obrigatoriedade da notificação de doenças e agravos, inclusive a violência contra a mulher. "O ditado é resquício de uma sociedade machista. Não podemos aceitar mais esta opressão. Qualquer situação de vulnerabilidade da mulher tem que ser notificada", reforçou.
O treinamento desenvolvido pela Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica e Sexual abrange representantes de várias áreas, como das secretarias municipais de Saúde, de Políticas para as Mulheres e do Idoso, do Programa Rosa Viva e da 17ª Regional de Saúde. Para a enfermeira do Setor de Vigilância em Saúde, Cláudia Prando, a interface com o máximo de órgãos é a receita do sucesso para o programa. "Esta violência não é problema apenas de segurança pública. A saúde, educação têm sua parcela de responsabilidade que não pode ser ignorada", advertiu.
A UBS do Jardim União da Vitória foi a sétima a receber a oficina em Londrina. Até o final do ano, os coordenadores esperam capacitar profissionais das 53 unidades de saúde primárias do município. A chefe do Setor de Epidemiologia da 17ª Regional de Saúde, Elisabete Soares Athayde, apontou que o grande desafio é quebrar paradigmas. "Nossa equipe de Enfermagem, principalmente, tem a missão de sensibilizar a comunidade para o problema. Esta proximidade é essencial", apontou.
O bairro registra uma média de três casos de violência contra a mulher, todos denunciados, com vítimas geralmente feridas. A enfermeira coordenadora da unidade de saúde, Izabel Cristina da Silva, acredita que com a capacitação os profissionais vão poder identificar as agressões, mas também a violência psicológica. "Certamente o número de vítimas notificadas vai crescer bastante." Ela aponta que, além da mulher, a criança, o adolescente e o idoso são atendidos no mesmo programa.
A enfermeira da Adriane Tirolli, do Programa Rosa Viva, apontou que Londrina registra de 30 a 35 casos de violência sexual contra mulheres ao ano. As vítimas recebem acompanhamento médico e psicológico que pode durar até seis meses. Adriane orientou as enfermeiras para a importância da triagem. "O enfermeiro tem que saber para onde encaminhar o paciente. Se a vítima de violência passa por vários setores, tem que relembrar a história várias vezes, o que é muito prejudicial".


