TOLEDO - Os sindicatos de servidores e professores de Toledo (47 quilômetros a oeste de Cascavel) querem que o Tribunal de Justiça do Estado encaminhe processo de intervenção no município, com ‘‘impeachment’’ (impedimento) temporário do prefeito Albino Corazza Neto (PDT), a quem acusam de negar pagamento de salários. As entidades alegam que há arrecadação suficiente para os pagamentos e até determinação judicial para isso.
Cansados de realizar protestos, como ocupação do gabinete do prefeito, greves, curtas paralisações e manifestações em praça pública, representantes dos servidores estarão em Curitiba hoje. ‘‘Vamos entregar documentos que deixarão claro a situação de flagrante anormalidade no Município’’, diz o presidente do sindicato dos servidores, Edson Simionatto. Os documentos serão entregues à Assembléia Legislativa, tribunais de Justiça e de Contas.
As manifestações são apoiadas pelo sindicato dos Professores do Paraná (APP/Sindicato), e terão a participação de 140 servidores - a maioria professores -, que embarcaram ontem em três ônibus. No mínimo, os manifestantes esperam atrair a atenção das autoridades estaduais para o problema.
Simionatto diz que advogados que assessoram as entidades classistas ‘‘acham possível o enquadramento do prefeito’’. A presidente do sindicato dos Professores, Clara Schoffen, acredita numa resposta dos tribunais e da Assembléia. ‘‘Eles podem ser sensíveis, e interferir de uma ou outra forma, mas a própria manifestação deve ter repercussão, e esperamos algum desdobramento’’.
A mobilização pelo pedido de intervenção foi decidida em assembléias dos sindicatos, depois que a Câmara Municipal não aceitou formar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a situação das finanças do Município. A prefeitura tem 1,4 mil funcionários, com salários a partir de R$ 170,00.
Os atrasos nos pagamentos começaram em agosto de 95. Até agora os servidores não receberam o 13º e férias proporcionais do ano passado, parte do pagamento de julho e os salários dos últimos três meses de 95. No mês de julho, segundo os sindicatos, a arrecadação foi de R$ 2,72 milhões, enquanto a folha de salários ficou em R$ 900 mil (valor bruto). Os vencimentos dos servidores não são reajustados há 19 meses
Segundo Simionatto, nos seis primeiros meses do ano a prefeitura pagou R$ 2,07 milhões de juros de empréstimos, com retenção na fonte de tributos estaduais e federais. ‘‘Isso revela a total falta de planejamento’’, diz o sindicalista.
A Folha procurou o prefeito ontem - ele estava viajando. O secretário da Administração, Moacir Vanzzo, não foi localizado nem retornou ligações feitas para obter a versão da prefeitura.

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