Os mais de 400 servidores da Prefeitura de Porecatu entraram em greve reivindicando reposição salarial de 30%. O movimento começou anteontem e deve terminar hoje - informou Jeférson Paulo Souza, que integra a comissão de negociação do Sindicato dos Funcionários Públicos de Porecatu (Sindserp). ''Isto mostra que não estamos contentes com a situação'', ressaltou ele.
Por outro lado, o secretário municipal da Fazenda, Gerson da Silva, reconhece a defasagem salarial e acha justa a reivindicação. ''Mas temos que respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)'', afirmou. Conforme a LRF, a folha de pagamento não pode ultrapassar 51,3% do orçamento do município. ''No ano passado, já comprometemos 55% da receita com os salários'', alegou Silva.
A prefeitura de Porecatu tinha previsto uma dotação orçamentária de R$ 10,8 milhões, mas só arrecadou R$ 9,4 milhões em 2002. Para tentar se adequar à lei, o secretário disse que o prefeito Dionísio Santos Souza (PT) já adotou como medidas o corte de horas-extras e redução de cargos comissionados em 20%. ''Ele (o prefeito) teria liberdade, conforme lei municipal, para nomear cargos até R$ 22,5 mil, mas está utilizando apenas R$ 18,3 mil'', disse o secretário. A esperança do Executivo é que a arrecadação do município aumente este ano. ''Dessa maneira, poderemos pensar no aumento salarial'', comentou.
Em contrapartida, o representante do Sindserp informou que a comissão deverá voltar a negociar a reposição em março. Além da reposição salarial de 30%, o Sindserp reivindica cestas básicas e a volta dos seguros de vida, já oferecidos em gestões anteriores.

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