Servidores de Cascavel desistem de paralisação
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Servidores municipais de Cascavel desistiram da greve que deveriam iniciar ontem exigindo reposição salarial e novo plano de cargos e salários. Eles haviam realizado ato de alerta na terça-feira, com concentração na frente da prefeitura em preparativo à greve. Porém, houve total desarticulação do movimento e, além disso, a questão dos salários esbarra em impedimento legal para reajuste por causa do período eleitoral. Restará a discussão sobre o Plano.
Os 4,4 mil funcionários (com folha mensal de R$ 2,5 milhões) se dividem entre dois sindicatos, o dos servidores e o dos professores, e uma associação, cada entidade com posições diferentes. A proposta de greve era defendida pelo Sindicato dos Servidores sob alegação de que desde 1997 o prefeito Salazar Barreiros (PPB) vem prometendo enviar à Câmara Municipal o plano de cargos e salários e o zeramento total de perdas salariais.
O prefeito havia anunciado em abril correção salarial de 11,03%, mas depois sua Procuradoria Jurídica o informou que a legislação eleitoral de 97 impede reajustes nos seis meses que antecedem as eleições municipais de outubro. O prazo venceu no dia 4 de abril. Segundo o presidente do sindicato, Antonio Koslowski, houve desinformação ou incompetência de parte da prefeitura, e os servidores se sentiram enganados, mas ele reconhece que não há o que fazer agora porque a lei é clara.
O presidente e uma comissão de representantes do sindicato foram recebidos na manhã de ontem pelo prefeito durante etapa do programa de descentralização administrativa, no Bairro Neva (zona norte). Estamos com o espírito desarmado e sem rancores, disse Koslowski ao sair do encontro. Por isso, ao invés de greve, haverá novos encontros com o prefeito e secretários para discutir um novo plano.
Salazar Barreiros quer criar uma conta específica para depósito mensal dos valores do reajuste, que seriam liberados para saque após as eleiçoes. Ele pediu parecer do Ministério Público e Tribunal de Contas, embora a legislação eleitoral seja clara. Em relação ao plano de cargos e salários, o prefeito acha prudente esperar o Congresso Nacional votar a reforma administrativa, que afetará servidores com todas as esferas administrativas.


