Funcionários municipais de Cascavel tentaram ontem mais uma vez obter garantias da prefeitura de que receberão salários atrasados, mas até o final da tarde, não tinham resposta. Por isso, anunciaram ‘‘estado de greve’’, que pode ser deflagrada hoje. Na terça-feira, eles realizaram manifestação na prefeitura, ocupando todo o saguão do prédio, e queriam ser recebidos pelo prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB), o que não ocorreu.
Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores, Denise Lopes Cordeiro, a prefeitura estaria ‘‘empurrando o pessoal para a greve, ao não pagar os atrasados e não nos dar perspectivas’’. Os pagamentos atrasados são referentes a outubro e novembro para os servidores que recebem acima de R$ 500,00, e desde setembro para os acima de R$ 1 mil. Também não foi liberada a primeira parcela do 13º salário.
A prefeitura tem cerca de 3,2 mil funcionários, e mais 600 através de contrato temporário ou terceirização com empresas prestadoras de serviços. A folha salarial é de R$ 1,45 milhão para uma arrecadação de aproximadamente R$ 3,5 milhões.
O prefeito Fidelcino Tolentino tinha a expectativa de que um ‘‘mutirão’’ de cobrança de impostos, em novembro, com descontos especiais para os inadimplentes, permitisse a formação de caixa para regularizar salários e dívidas com fornecedores, mas a adesão dos contribuintes foi pequena.
Ainda não há um balanço do total arrecadado, mas o secretário de Finanças Dirceu Padilha, relata que a expectativa foi frustrada. O secretário de Administração, Antônio Marcon, reconhece que os servidores ‘‘têm todo o direito de reclamar’’, mas comenta que eles ‘‘não podem imaginar que seriam os únicos imunes às dificuldades que ocorrem na administração pública e outros setores’’.
Marcon salienta que a prefeitura tem mais de R$ 40 milhões para receber. ‘‘Se os devedores não nos pagam, automaticamente não temos de onde tirar o dinheiro’’.

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