Servidores de Cambé iniciam greve por tempo indeterminado
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terça-feira, 14 de abril de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Cambé Servidores da Prefeitura de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) decidiram cruzar os braços na manhã de ontem e deram início a uma mobilização por tempo indeterminado para reivindicar aumento salarial de 10% e melhorias nas condições de trabalho. Pouco mais de 100 funcionários se reuniram na sede do Sindicato dos Servidores Municipais de Cambé (SindServ) e foram em passeata até a Prefeitura. Com cartazes, a categoria pediu a presença do prefeito João Pavinato, mas a assessoria de imprensa informou que ele não estava no prédio e cumpria agenda fora no momento da manifestação. No período da tarde, uma assembleia da categoria manteve a paralisação.
A greve comprometeu a prestação de serviços nas áreas de saúde e educação. Funcionários paralisaram as atividades em pelo menos quatro unidades básicas de saúde e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). "Nós queremos a contratação de mais funcionários, o pagamento das horas extras, o pagamento de 40% de adicional de insalubridade e uma cozinha adequada para que a gente possa fazer as nossas refeições", reclamou uma servidora da UPA, que preferiu não se identificar. Servidores que não aderiram à paralisação foram remanejados para as unidades.
Duas escolas municipais e um centro de educação infantil também permaneceram fechados durante a manhã. A professora Dayana Patrícia Moreira argumentou que o município não paga o valor correto de 33% referente à chamada hora-atividade. "Esse período é essencial para que os professores possam fazer um planejamento e um trabalho de qualidade. Nosso salário é muito defasado. Além disso, as escolas integrais não oferecem caderno e lápis para as crianças e algumas salas ficam alagadas nos dias de chuva. A estrutura é precária", apontou.
O vice-presidente do SindServ em Cambé, Cesar da Cruz Rodrigues, destacou que a reivindicação geral é pelo reajuste salarial de 10%, sendo 7,7% referentes à reposição da inflação. "Os profissionais pedem também a revisão no Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) e reajuste no vale-alimentação de R$ 70 para R$ 150. Tentamos diálogo desde dezembro com a Prefeitura. Em fevereiro, eles começaram a negociação, mas não avançaram", afirmou. Conforme Rodrigues, a data-base da categoria é 1º de março e abrange 2.600 servidores.
O presidente do sindicato, Carlos Aparecido de Melo, garantiu que 30% dos serviços essenciais como Samu e coleta de lixo, foram mantidos.
O prefeito João Pavinato afirmou que um projeto de lei aprovado em segunda discussão na Câmara de Vereadores de Cambé garantiu recursos para o pagamento de reposição de 7,7% referente à inflação. No entanto, segundo ele, não é possível conceder aumento real. "Nós mostramos para o sindicato que a Prefeitura, nesse momento, só tem a condição de dar 7,7%. Os municípios do Brasil estão todos em crise. Os Estados estão em crise. A União está em crise. Houve queda de repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Nós não temos condições de dizer exatamente em um ano quanto nós vamos ter de recursos. E se essa queda [na arrecadação] continuar? Eu não vou dar de aumento aquilo que eu não tenho certeza se eu vou conseguir pagar. Prefiro protesto pelo não aumento do que pela falta de pagamento", ressaltou.
Pavinato garantiu que a reposição da inflação será paga nas próximas semanas. O valor será retroativo a 1º de março. Já as solicitações por melhorias nas condições de trabalho, segundo ele, não foram levadas ao gabinete. "Vamos procurar a Justiça para declarar essa greve ilegal. Foi uma radicalização desnecessária. Nós sempre conversamos com o sindicato", defendeu o prefeito.


