Professores e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Hospital Universitário (HU) ameaçam manifestações radicais como uma greve de fome. A intenção seria sensibilizar o governo pelo fim da paralisação que dura 74 dias. Segundo o professor Kennedy Piau, da comissão de ética do comando local, as categorias discutem a formação de uma junta médica para avaliar os possíveis candidatos.
Hoje, um grupo de 40 servidores e professores da UEL e da Universidade Estadual de Maringá (UEM) realizam um protesto em São Paulo (SP). Eles não revelaram as ações que serão feitas. Piau apenas informou que pretendem ''mostrar para o resto do País o caráter do governo do Estado''. O professor destacou o volume gasto em propagandas fora do Paraná, onde o governador Jaime Lerner (PFL) é apresentado como um bom administrador. ''A maior parte da população paranaense é contrária a esse conceito'', ressaltou.
Ontem, durante as assembléias específicas das categorias, o clima era de indignação e perplexidade pela ausência de resultados da reunião realizada em Curitiba com os representantes da sociedade civil organizada. ''Apesar de não acreditarmos em uma proposta coerente, criou-se uma expectativa'', comentou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Londrina e região (Sinsaúde), Ana Maria da Cruz.
O governo, de acordo com a presidente do Sinsaúde, estaria entrando em contradição quando justificou a impossibilidade de reajuste salarial pela falta de dinheiro e das restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ela citou um documento assinado pelo secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, no dia 8 de novembro, garantindo o anúncio de um índice de reajuste na primeira semana de dezembro.
''Abono não é salário e não resolve o problema dos servidores'', protestou a Ana Maria, referindo-se à oferta do pagamento de abonos aos servidores que ganham até três salários mínimos. O professor Piau questionou a declaração do reitor Pedro Gordan de que poderia remanejar verbas da UEL para pagar o benefício. ''Até onde se sabe a universidade não possui dinheiro nem para manter projetos'', observou. A crise na UEL, completou a sindicalista, causa sofrimento não só nos servidores, mas em toda a sociedade que sofre as consequências da paralisação.
Os sindicatos estão organizando uma grande manifestação para o dia 12 de
dezembro com a participação de toda a comunidade universitária, pais de alunos, pacientes do HU e de pessoas da sociedade que se sintam prejudicados pelo movimento.

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