Servidores da UEL criam 'banco de bicos' para ajudar no orçamento
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quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina Especial para a Folha 
Funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) se organizaram e criaram um banco de serviços para reforçar o orçamento familiar. O banco de bicos, como é chamado, já tem 24 funcionários cadastrados, que oferecem serviços variados, todos realizados nas horas vagas. A maioria desses funcionários recebem da pouco mais de dois salários mínimos por oito horas de trabalho na UEL
A idéia do banco de empregos é antiga, mas foi a partir de abril deste ano que foi efetivamente colocada em prática. Soraia Martinez do Carmo, técnica administrativa que trabalha no Hospital de Clínicas (HC), informou que o objetivo do banco é complementar a renda familiar desses funcionários. Segundo Soraia, existem funcionários que exercem funções braçais, mas possuem outras qualificações. Temos zeladores que fazem serviços de carpintaria ou trabalham como pedreiros e encanadores. Algumas funcionárias da limpeza têm diploma de auxiliar de enfermagem e se oferecem como babás, explicou.
Maria Helena Rodrigues Gonçalves, 40 anos, zeladora do HC, se formou como auxiliar de enfermagem mas não conseguiu emprego na área. Ela contou que mandou currículo, fez concurso, mas não conseguiu nada. Há seis anos trabalhando como zeladora, Maria Helena declarou que não teve aumento significativo desde que entrou na UEL e agora se vê obrigada a procurar bicos. Estou habilitada para cuidar de crianças, idosos, mas faço também faxina, passo roupa, enfim, o que aparecer.
As perdas salariais são as principais razões que levam os funcionários a procurar serviço extra. É o que alega a funcionária de serviços gerais do HC Nair de Fátima Silva, 29 anos, casada, um filho e um sobrinho para criar. Segundo ela, os funcionários estão insatisfeitos e acham que o governo estadual não tem respeito algum por eles. Fiz o curso de auxiliar de enfermagem, mas sem experiência é difícil arranjar emprego. Com o salário que recebo aqui a vida fica complicada. O jeito é partir para os bicos, comentou.
A técnica Soraia explicou que o banco de serviços tem regras, como em qualquer agência de empregos. Eles sabem que estão sendo indicados por colegas de trabalho na UEL e cumprem as regras perfeitamente. São pessoas idôneas e capacitadas naquilo que se prontificam a fazer.
De acordo com Soraia, é o próprio funcionário quem combina o valor da hora de trabalho. O banco não recebe nada, só encaminha. Os cadastrados até agora se oferecem para fazer comida congelada, faxina, pintura de parede, passar roupa, conserto de aparelhos eletro-eletrônicos, jardinagem e artesanato em tricô. O telefone de contato é (43) 371-5752, com Soraia.


